Presidente Lula visita o Hospital de Amor de Barretos - Lula: “o SUS é uma das obras-primas da saúde mundial” , e anuncia plano de centros de reabilitação oncológica
Lula: “o SUS é uma das obras-primas da saúde mundial”
Durante visita ao Hospital de Amor em Barretos, presidente defende a saúde pública, critica a gestão Bolsonaro na pandemia e anuncia plano de centros de reabilitação oncológica
247 – O presidente Lula (PT) afirmou neste sábado (5), durante visita ao Hospital de Amor de Barretos, no interior de São Paulo, que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma das maiores conquistas da sociedade brasileira e um exemplo para todo o planeta.
Em discurso ao lado de dirigentes da instituição, o chefe do Executivo destacou a importância de garantir atendimento público, gratuito e de qualidade para toda a população, sobretudo para as camadas mais vulneráveis do país. “O SUS é uma das obras-primas da saúde mundial. Quem não conhece o SUS precisa conhecer. Não tem nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tenha um sistema de saúde como o SUS. Para fazer as coisas que o SUS faz, de graça… O SUS faz 99% dos transplantes desse país. A gente não tem medo de disputar com hospital particular”, declarou Lula.
Reconhecimento e histórico do Hospital de Amor
Ao iniciar sua fala, o presidente relembrou a trajetória da instituição paulista, referência nacional no tratamento oncológico, destacando o trabalho constante de ampliação do atendimento promovido pelo seu presidente, Henrique Prata. Lula enfatizou que nada é impossível quando há disposição e solidariedade para salvar vidas.
“É a terceira vez que eu visito o Hospital de Amor. Vira e mexe o Henrique está em Brasília pedindo ajuda para fazer uma coisa nova. E nunca vai pedir ajuda para fazer o mesmo. É sempre para inventar, e sempre essa coisa nova é um avanço que a gente consegue oferecer ao povo brasileiro”, afirmou o presidente.
Resistência histórica e o papel do SUS na pandemia
Lula fez um resgate histórico desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, lembrando as pressões e desconfianças do setor privado contra a consolidação de um modelo público e universal de saúde no Brasil. Segundo ele, o sistema enfrentou décadas de campanhas depreciativas na imprensa, que ignoravam o trabalho dedicado dos profissionais na linha de frente.
“Quando a gente aprovou o SUS na Constituição de 1988, tivemos muita gente da iniciativa privada que não queria que a gente criasse o SUS. Criar o SUS seria mostrar à sociedade que a gente ia ter um sistema único de saúde que ia dar ao povo mais humilde o direito de ter um tratamento de saúde gratuito, pago pelo governo. O SUS foi achincalhado, avacalhado. Quase toda reportagem sobre o SUS era negativa. Era gente na fila do hospital, uma pessoa que tinha morrido. Nunca falavam do trabalho das enfermeiras, dos médicos, dos motoristas de ambulâncias, dos faxineiros, que trabalhavam para manter o SUS atuando”, relembrou.
O presidente apontou que a emergência sanitária da Covid-19 mudou a percepção pública sobre a rede pública de saúde, transformando trabalhadores em heróis nacionais diante da incúria governamental da época. Lula criticou severamente o negacionismo científico do governo Jair Bolsonaro (PL) e as notícias falsas sobre as vacinas, ressaltando o custo humano da desinformação.
“Veio a Covid-19 e, como se fosse um milagre, o SUS ressurge das cinzas que eles queriam nos colocar e se transforma num modelo de heróis, que foram responsáveis por não permitir que muito mais gente morresse por conta do descaso do governo da época. Morreram 716 mil pessoas. Poderiam ter sido evitadas pelo menos umas 400 mil se tivessem apenas acreditado na ciência. Ninguém está exigindo que o governo da época soubesse cuidar da Covid. Não era o papel dele. A única coisa que se pedia era: ouça a ciência. Nós temos especialistas, gente boa no Brasil inteiro, que está nos ensinando como é que faz. Não desmereça a vacina, pelo amor de Deus. Dizer que a vacina faz a pessoa virar gay, virar jacaré, é crime! Você está evitando que um pai ou uma mãe, por falta de informação, deixe de dar vacina numa criança, que pode até voltar a pegar doença que já tinha sido exterminada no Brasil”, alertou.
Novo plano nacional de recuperação oncológica
Projetando os próximos passos de sua gestão para fortalecer a infraestrutura de atendimento, o presidente anunciou a meta de expandir os serviços de reabilitação e acompanhamento para pacientes com câncer em médios e grandes municípios de todo o país.
“Temos como fé fazer com que o Estado possa oferecer a cada criança, a cada mulher, a cada homem, uma saúde perfeita. Ainda não fizemos tudo, ainda falta coisa. Mas o que já fizemos é uma demonstração de que, quando o Estado quer, a gente resolve o problema. Vamos nos próximos anos fazer em todas as cidades com mais de 150 mil habitantes um centro de recuperação de pessoas com câncer, para que a gente possa dizer para a pessoa: não basta curar, é preciso devolver a vida, o movimento, o prazer pela vida, o sabor. A gente quer dar para o povo pobre aquilo que ele merece. Ninguém pode ser salvo porque tem dinheiro. A gente tem que ser salvo porque a vida é igual para todo mundo, e todos têm que ter o mesmo direito”, garantiu.
O modelo brasileiro frente à saúde privada internacional
Para exemplificar a gratuidade e o caráter humanitário do atendimento público brasileiro em comparação com o modelo essencialmente privado de outros países, Lula citou um episódio recente envolvendo um jornalista norte-americano que necessitou de atendimento emergencial em Ilhabela, no litoral paulista.
“Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, o pobre não tem o que tem aqui no Brasil. Esses dias um jornalista americano estava em Ilhabela, em São Paulo.
O filho dele teve um probleminha de saúde e ele foi no carro dele buscar não sei o que para o filho.
Quando ele abriu o carro, caiu na cabeça dele o porta-malas e começou a sangrar muito.
Chegou o SAMU, levou ele para o hospital.
E ele com um medo desgraçado, porque ele não sabia quanto ia custar.
Porque nos Estados Unidos uma ambulância é no mínimo US$ 10 mil.
Então foram no SAMU ele e o filho dele.
Chegou no hospital, trataram do filho dele, deram oito pontos na cabeça dele.
E quando ele foi perguntar quanto era, era ‘nada’.
O SUS é de graça.
E nem perguntaram se ele era americano não.
Era um ser humano que estava precisando de saúde.
É assim que o SUS funciona”, relatou.
Lula concluiu sua intervenção reiterando a meta de consolidar a rede pública brasileira como o principal parâmetro de saúde universal no cenário internacional. “Tenho muito orgulho de ser presidente de um país que tem um sistema único de saúde que possivelmente se transformará no programa de saúde mais perfeito que o mundo vai ter”, finalizou.
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