O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, firmou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto e revelou que movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregando os valores em malas com até R$ 1,5 milhão cada.

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Em delação, empresário relata entrega de malas de dinheiro a Vorcaro e repasses a fundo do ‘Dark Horse’

Empresário afirmou à PGR que gerava dinheiro vivo para Vorcaro e entregava os valores em malas, além de repassar recursos ao fundo que financiou o filme Dark Horse

Por: Ivan LongoPublicado: 04/09/2026


O empresário
Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, firmou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto e revelou que movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregando os valores em malas com até R$ 1,5 milhão cada

A delação aponta ainda repasses ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, que financiou o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com conexões a Flávio e Eduardo Bolsonaro. 

A delação

Freixo afirmou à PGR que tinha a função de “gerar” dinheiro vivo para Vorcaro e entregava os valores em malas contendo entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão. Os destinatários eram Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ou motoristas dos dois. O empresário disse às autoridades que os valores eram “solicitados provavelmente para pagamento de comissões e vantagens indevidas”. 

A Entre Investimentos também foi o canal usado para repassar recursos ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que bancou o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo a delação, os repasses foram feitos por ordem de Vorcaro, que por sua vez teria sido acionado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O Havengate Development Fund é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Pessoas com conhecimento do material afirmam que Freixo declarou não saber se os recursos enviados aos EUA financiaram Eduardo Bolsonaro ou outro aliado do ex-presidente.

Dinheiro vivo

Conforme relatado por Freixo à PGR, os pedidos de dinheiro em espécie partiam inicialmente do próprio Vorcaro e, com o tempo, passaram a ser feitos por Fabiano Zettel, via WhatsApp. Vorcaro transferia bens ou recursos para empresas de Freixo e pedia que ele localizasse operadores capazes de disponibilizar o dinheiro vivo.

Para isso, Freixo acionava três operadores, também por WhatsApp, e realizava transferências bancárias para empresas por eles indicadas. Uma dessas empresas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já havia aparecido nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo. Os pagamentos eram formalizados por contratos de mútuo simulados com a Entre Investimentos. Os operadores obtinham o dinheiro vivo por meio de contatos no Brás e no setor de combustíveis e entregavam os valores na sede da empresa, no Itaim Bibi.

As entregas a Zettel eram combinadas pelo WhatsApp no mesmo dia, para reduzir o risco de armazenamento, e ocorriam no estacionamento do prédio da Entre ou na garagem do prédio onde Zettel morava, ambos no Itaim Bibi. A remuneração pelo serviço era de 1% para Freixo e 4% para cada operador. Como corroboração, o delator entregou notas fiscais das malas compradas pela internet, contratos de mútuo simulados, registros de transferências bancárias, uma tabela com valores e datas, e vídeos de câmeras internas da empresa flagrando a movimentação das malas e os motoristas.

Próximos passos

A investigação da Polícia Federal já apontava, antes da delação, que a Entre Investimentos funcionava como um braço operacional de Vorcaro para repasse de recursos. As revelações de Freixo reforçam esse quadro e abrem uma nova frente: as autoridades suspeitam de evasão de divisas a partir do fluxo atípico identificado pelo Banco Central na Entrepay, empresa do Grupo Entre liquidada pelo BC em março. O dinheiro saía do Brasil, passava pelas Bahamas e seguia para o Texas.

O acordo de delação foi fechado com a PGR em 8 de agosto, após quatro meses de negociações, e encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, para homologação. Mendonça marcou audiência para 8 de setembro para avaliar a voluntariedade do acordo, que prevê o pagamento de cerca de R$ 2 bilhões em multa por Freixo. Esta é a segunda delação fechada pela PGR no caso do Banco Master; a primeira foi com João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag.

A defesa de Freixo não se manifestou, alegando confidencialidade; a defesa de Vorcaro disse não ter acesso à proposta e desconhecer o tema; a defesa de Fabiano Zettel também não se pronunciou.

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