Em meio à crise no STF, Lula fala em “esforço sobrenatural” para manter a “credibilidade das instituições”
Em meio à crise no STF, Lula fala em “esforço sobrenatural” para manter a “credibilidade das instituições”
Presidente diz que “ninguém pode utilizar o cargo em benefício pessoal” e afirma que a lei “vale para todos”
Guilherme Levorato
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 12:19
247 – O presidente Lula (PT) fez um apelo pela preservação da estabilidade democrática e pela defesa da integridade dos órgãos de Estado nesta sexta-feira (4), em pronunciamento realizado no Palácio do Planalto.
Em meio às repercussões das recentes denúncias envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe do Executivo enfatizou a necessidade de garantir a confiança da população no Poder Judiciário e rechaçou o uso de prerrogativas públicas para fins privados.
O discurso ocorreu durante evento oficial em que Lula esteve acompanhado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, e na presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ao se pronunciar ao lado das lideranças da Justiça, o presidente abordou diretamente o momento de tensão institucional.
“Ontem fiz uma fala sobre a crise que estamos vivendo e que o presidente Fachin acabou de falar agora. E eu tenho a preocupação, como presidente da República, de tentar fazer um esforço sobrenatural para que a sociedade não perca a esperança, a fé e a credibilidade das instituições, que são responsáveis por garantir o funcionamento do sistema democrático brasileiro e do Estado de Direito”, declarou Lula.
Segundo o presidente da República, a solidez das instituições republicanas é a principal garantia contra investidas autoritárias ou tentativas de desestabilização da ordem constitucional.
“Se não tiver instituições sólidas e funcionando, a democracia será muito vulnerável. E por isso tem algumas pessoas que tentam enfraquecer, desmoralizar. Quando, no fundo no fundo, qualquer país democrático, de democracia forte, tem instituições que garantem o funcionamento dela com muita competência”, argumentou.
Lula reiterou a igualdade de todos perante a legislação brasileira e destacou que os cargos públicos impõem responsabilidades rigorosas a seus ocupantes, independentemente da função ou posição social exercida. “Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Isso vale para o presidente da República, para o catador de material reciclável, para uma médica… Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal, ela vale para todos”, defendeu.
Ao direcionar sua fala ao presidente da Suprema Corte e ao chefe do Ministério Público Federal, o presidente destacou que a sociedade aguarda respostas claras e transparentes para a superação do cenário atual, cobrando empenho direto das autoridades competentes.
“E eu disse para meu amigo Fachin: a Suprema Corte e a PGR estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Quando os filhos em casa estão em desordem, quem manda na casa é que resolve. Então, meu caro, está nas suas costas e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”, pontuou o chefe do Executivo.
Por fim, Lula fez uma dura crítica à disseminação de desinformação e ao uso estratégico da imprensa e de informações privilegiadas para desestabilizar o ambiente político do país.
“O que nós não podemos nesse país é oficializar a indústria das fake news, dos vazamentos seletivos por interesses políticos ou econômicos. Não é possível. Se a gente não der uma parada nisso, a gente vai perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade tenha na Justiça”, concluiu.
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