Juiz de Mendonça para Vorcaro: Tenho empatia por sua coragem em relatar esses fatos
Juiz de Mendonça para Vorcaro: Tenho empatia por sua coragem em relatar esses fatos
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, pediu para prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal na semana passada.
Em seu relato, Vorcaro alegou que teria ouvido de policiais que sua colaboração não era aceita porque o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou de eventos que o Master organizou. O banqueiro, porém, não apontou pagamentos a Rodrigues e, anteriormente, não apresentou entre os anexos das tentativas de colaboração qualquer acusação a Andrei Rodrigues. Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro, exercida pelo advogado Daniel Bialski, disse que não iria comentar. Rodrigues também não retornou aos contatos da coluna.
O depoimento se deu na mesma semana que o ministro André Mendonça decidiu pedir um relatório específico sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido de Mendonça para a PF foi realizado na segunda-feira, 24 de agosto. Mendonça deu 72 horas para a PF realizar a análise e devolver o documento que ficou pronto na mesma quinta-feira em que Vorcaro prestou depoimento para o juiz de seu gabinete. Ao final, por um alegado problema técnico, o depoimento de Vorcaro para a PF acabou não ocorrendo.
No início da tarde desta quarta-feira (2), quando a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, revelou a existência do depoimento, o gabinete de Mendonça emitiu uma nota afirmando que o “depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”.
O gabinete disse ainda que a “presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido (Resolução CNJ nº 213/2015, com as alterações da Resolução nº 562/2024). Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”.
Por fim foi informado, que o conteúdo estava em sigilo e não existiram menções ao ministro Alexandre de Moraes.
Formada pela UFSC com mestrado no CPDOC da FGV-Rio. Foi repórter especial do jornal O Globo e colunista do portal UOL. É apresentadora do podcast "A vida secreta do Jair" e autora do livro "O negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro", da editora Zahar, finalista do prêmio Jabuti de 2023.
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