Mundo entra em ‘zona de perigo’ com super El Niño, diz ONU

 

Jamil Chade

Mundo entra em ‘zona de perigo’ com super El Niño, diz ONU

De acordo com entidade, o fenômeno pode ser o mais forte em 70 anos e irá durar até fevereiro de 2027
03/09/2026 | 05h52

 

Num alerta emitido nesta quinta-feira, a ONU afirma que o mundo entrou em uma “zona de perigo de eventos climáticos extremos” por conta do impacto do El Niño. O secretário-geral da ONU, António Guterres, apontou que o fenômeno começa a ser sentido globalmente.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) revela que ele pode ser o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até fevereiro de 2027.

Os especialista afirmam que o El Niño aumentará as temperaturas em alguns lugares, somando-se ao aumento do calor global causado pelas mudanças climáticas provocadas pela ação humana. “O El Niño está se intensificando diante de nossos olhos. A ciência não deixa dúvidas: o planeta está navegando em águas desconhecidas, e essas águas estão se aquecendo”, disse Guterres.

De acordo com a agência, o El Niño “está firmemente estabelecido e se intensificará nos próximos meses, com grandes impactos nos padrões de chuva e temperatura e os riscos associados de inundações, secas e calor extremo”

As previsões dos Centros Globais de Produção da OMM indicam uma “probabilidade excepcionalmente alta, de quase 100%”, de que o El Niño persistirá até fevereiro de 2027. Esta é a primeira vez que uma atualização da OMM sobre o El Niño/La Niña é tão inequívoca, refletindo o forte consenso dentro da extensa rede da OMM.

Impulsionado por condições oceânicas excepcionalmente quentes no Pacífico tropical, o El Niño deverá se intensificar ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade muito forte antes de atingir seu pico no final deste ano, com impactos climáticos que se estenderão até 2027.

“As temperaturas da superfície do mar estão subindo, as temperaturas continuam a aumentar e o mundo está na zona de perigo de eventos climáticos extremos. A corrida agora é entre os riscos crescentes e nosso compromisso de tomar medidas climáticas e proteger as pessoas. Devemos vencer essa corrida”, disse Guterres.

“El Niño tem o potencial de causar um impacto devastador em comunidades e economias em todo o mundo. Já estamos vendo perturbações e devastação causadas por secas e inundações, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

Segundo ela, este El Niño excepcional exige preparação e resposta excepcionais. “Nunca antes, nos 50 anos de história da Organização Meteorológica Mundial, lançamos uma mobilização tão grande com os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais, que estão na linha de frente, fornecendo previsões e serviços para salvar vidas e meios de subsistência”, disse ela.

Seca no Norte do Brasil, chuvas fora dos padrões em outras áreas

Embora os impactos no clima global provavelmente sejam sentidos até 2027, a Organização Meteorológica Mundial prevê mudanças significativas nos padrões de precipitação nos próximos meses.

Condições mais secas do que o normal são previstas em grandes áreas do Sudeste Asiático, América Central e norte da América do Sul, aumentando o risco de secas e incêndios florestais.

Na quinta-feira, o número de embarcações que atravessam o Canal do Panamá será reduzido em mais de 10% em antecipação à diminuição das chuvas.

As temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-leste, região central do El Niño, já estão bem acima da média – um dos sinais característicos do fenômeno – e continuam a subir.

O índice Niño 3.4, intensificou-se consideravelmente, passando de uma média de +1,5 °C acima do normal durante o período de maio a julho de 2026 para +2,0 °C acima do normal em julho. Os valores semanais aumentaram ainda mais entre o final de julho e meados de agosto, variando de aproximadamente +2,2 °C a +2,6 °C acima da média, indicando uma intensificação contínua.

“Um calor ainda mais excepcional está presente abaixo da superfície do oceano. Em algumas áreas, as temperaturas subsuperficiais do oceano estiveram mais de 8 °C acima da média durante julho e início de agosto”, apontou.

As condições oceânicas superficiais e subsuperficiais fornecem forte suporte para a continuidade do El Niño e para o potencial de seu fortalecimento nos próximos meses, afirma a atualização.





Jamil Chade
Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade. 


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