Deputado Chico Alencar aciona PGR contra Nikolas por divulgação de falso laudo da PF
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Deputado Chico Alencar aciona PGR contra Nikolas por divulgação de falso laudo da PF
Por Felipe Rabioglio
O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentou nesta sexta-feira (4) uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Nikolas Ferreira (PL-MG) após o parlamentar bolsonarista divulgar nas redes sociais um falso documento atribuído à Polícia Federal para contestar indícios de irregularidades nas conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A representação pede que sejam investigadas tanto as circunstâncias da produção do documento quanto sua utilização e divulgação por Nikolas nas redes sociais como se fosse um laudo oficial da PF. Segundo o documento, as condutas podem, em tese, configurar crimes de falsificação e uso de documento falso.
O pedido é mais um desdobramento das revelações da colunista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, sobre a relação entre Nikolas e Vorcaro. A própria notícia-crime cita o trabalho da jornalista ao contextualizar que as reportagens revelaram, entre outros episódios, mensagens nas quais o banqueiro afirmou ter “bancado todos os voos” do deputado.
O documento falso apareceu justamente em meio à repercussão dessas revelações. A montagem simulava um relatório da Polícia Federal e afirmava que a corporação não teria encontrado indícios de crime nas conversas entre Nikolas e Vorcaro. A PF, porém, negou ter produzido tanto a imagem quanto o conteúdo divulgado.
Nikolas admitiu ter compartilhado o material, mas afirmou que o retirou do ar pouco depois e que desconhecia sua falsidade. Para a representação apresentada por Chico Alencar, essas circunstâncias precisam ser investigadas.

Origem do documento
A notícia-crime solicita à PGR a instauração de procedimento investigatório ou o encaminhamento de uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para abertura de inquérito policial.
Entre as diligências requeridas estão a oitiva de Nikolas, a obtenção de dados junto às plataformas de redes sociais para preservar a postagem original e dimensionar seu alcance e a inclusão da manifestação oficial da Polícia Federal confirmando a falsidade do suposto laudo.
O deputado também pede que a PF apresente uma manifestação formal sobre a inautenticidade do material e forneça uma cópia do relatório verdadeiro, datado de 27 de agosto de 2026, para que os documentos possam ser comparados. Caso sejam reunidos elementos de autoria e materialidade, a representação pede que seja apresentada denúncia ao STF.
A notícia-crime aponta, em tese, a possibilidade de enquadramento nos artigos 297, 299 e 304 do Código Penal, referentes à falsificação de documento público, falsidade ideológica e uso de documento falso. No caso da falsificação de documento público, a legislação prevê pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa.
Como Nikolas é deputado federal, a representação sustenta que eventuais providências investigatórias relacionadas ao caso devem passar pela PGR e pelo Supremo Tribunal Federal, em razão do foro por prerrogativa de função.
Documento falso foi feito com IA
Como mostrou o ICL Notícias nesta quinta-feira (3), o falso relatório apresentava uma série de sinais de adulteração. O símbolo da Polícia Federal era diferente do emblema oficial, a numeração dos tópicos saltava do item 7 diretamente para o 7.3, havia erros de português e até elementos incomuns em documentos oficiais, como emojis.
A checagem realizada pelo Aos Fatos também submeteu o arquivo a uma ferramenta da OpenAI, que detectou a presença de SynthID, marca digital indicativa de conteúdo gerado ou modificado por inteligência artificial. A própria PF confirmou ao site que não produziu a imagem nem o texto apresentados como relatório oficial. Esses elementos também foram incorporados à notícia-crime.

Segundo o documento apresentado por Chico Alencar, publicações reproduzindo o falso laudo chegaram a acumular pelo menos 500 mil visualizações no X (antigo Twitter) em 3 de setembro, enquanto repercutiam as reportagens sobre a relação entre Nikolas e Vorcaro.
As revelações que antecederam o episódio mostraram, entre outros pontos, uma mensagem na qual Nikolas pediu ajuda de Vorcaro para liberar “um ativo de minério” em benefício de um então assessor de seu gabinete. Em outra conversa revelada pela coluna de Juliana Dal Piva, o banqueiro afirmou que havia “bancado todos os voos” do parlamentar.
Na quinta-feira (3), Chico Alencar já havia acionado a Corregedoria da Câmara e apresentado um requerimento ao Ministério de Minas e Energia para cobrar esclarecimentos sobre o episódio envolvendo o ativo minerário. A nova iniciativa, porém, trata de outro fato: a divulgação do falso documento atribuído à Polícia Federal e a apuração de quem o produziu e em quais circunstâncias ele chegou às redes do deputado.
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