Lula avisa Trump que interferência nas eleições brasileiras está fadada ao fracasso

Lula avisa Trump que interferência nas eleições brasileiras está fadada ao fracasso

Presidente também qualificou relação com o presidente dos EUA como “boa”


Leonardo Sobreira

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 16:08


247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou nesta sexta-feira (4), em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, caso Washington tente interferir na eleição geral brasileira, a ofensiva estará fadada ao fracasso.

“Se tiver interferência nas eleições, vai perder. Eu disse isso ao Trump”, disse Lula, em referência ao telefonema entre os presidentes, mantido no dia 21 de agosto passado. “Não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições, e se entrar vai perder”, disse Lula.

Apesar do alerta de Lula a Trump, o presidente brasileiro afirmou que sua relação com o chefe da Casa Branca é “boa”, assim como as que mantêm com outros líderes mundiais. Nesse sentido, Lula citou o presidente chinês, Xi Jinping; o presidente francês, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro do Reino Unido, Andrew Burnham; e o presidente russo, Vladimir Putin.

“Não tenho adversário”, disse Lula, acrescentando que o Brasil exige “muito respeito” nas relações diplomáticas.

O presidente detalhou que, após a ligação, que, segundo ele, durou uma hora e meia, o próprio Trump foi motivado a falar com seu secretário do comércio para demandar ao funcionário que logo atendesse ao ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Ainda na entrevista, o presidente Lula disse que não está preocupado com o que relatou ser uma queda de 12% na relação comercial com os EUA, diante da aplicação do tarifaço que pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros.

Isso, porque, de acordo com Lula, as relações comerciais do Brasil cresceram com outros 17 países. “E todos países que visitei crescemos nosso comércio acima de 10%”, disse Lula.

O presidente também afirmou que não reclamará caso os EUA mantenham sua postura tarifária. “Não vou ficar resmungando se os EUA não quiserem comprar da gente”.

Lula também afirmou que não busca qualquer tipo de conflito militar com os EUA, e sim um de “narrativas”, para demonstrar a injustiça do tarifaço: “Quando ele fala que tem as maiores forças armadas do mundo, digo que eu não quero guerra, quero guerra na narrativa, para provar que não está sendo verdadeiro com o Brasil”.

Em 31 de agosto, Elias Rosa e o representante comercial americano, Jamieson Greer, mantiveram, junto a outros representantes do governo brasileiro, uma reunião para discutir o tarifaço. O encontro virtual durou cerca de 40 minutos.

Integrantes da Esplanada qualificaram a reunião como positiva, ao mesmo tempo em que reafirmaram a posição brasileira de que o tarifaço não se justifica. Reuniões técnicas ocorrerão nas próximas semanas, intercaladas por outras reuniões de alto nível, prevê o Planalto.

Na reunião sobre o tarifaço, segundo uma fonte palaciana, Greer, em espírito de disposição, afirmou ter recebido do próprio Trump a orientação para retomar uma dinâmica comercial entre os dois países.

A respeito da conversa entre Lula e Trump, o interlocutor do Planalto destacou a “cordialidade” do telefonema, embora tenha reconhecido a existência de uma ala na Casa Branca, concentrada no Departamento de Estado e influenciada por brasileiros de extrema direita radicados nos Estados Unidos, mais favorável à adoção de medidas sancionatórias contra o Brasil e, de forma mais ampla, contra autoridades brasileiras. Contudo, o caminho para a adoção de tais medidas é “tortuoso”, de acordo com a fonte.

A fonte também reconheceu que é de interesse dos Estados Unidos uma mudança de governo no Brasil, mas afirmou que, caso o presidente Lula seja reeleito, esse será um fato incontornável com o qual Trump terá de lidar.

https://www.brasil247.com/poder/lula-avisa-trump-que-interferencia-nas-eleicoes-brasileiras-esta-fadada-ao-fracasso/

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