ONU afirma que EUA violaram direito internacional com ataque na Venezuela

 


ONU afirma que EUA violaram direito internacional com ataque na Venezuela

Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, condenou ofensiva militar norte-americana
06/01/2026 | 10h10 

(Folhapress) – As Nações Unidas expressaram nesta terça-feira (6) sua profunda preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e alertaram que foi “violado um princípio fundamental do direito internacional”.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, condenou os ataques. Em uma coletiva nesta terça-feira em Genebra, ela classificou a intervenção militar dos EUA como um ataque. “Isso envia um sinal de que poderosos podem fazer o que quiserem. Nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado.”

O secretário-geral das Nações Unidas pediu nesta segunda-feira (5) respeito à independência política dos países. António Guterres exortou “respeitar os princípios de soberania, independência política e integridade territorial dos Estados”, segundo declarações lidas em seu nome pela vice-secretária-geral, Rosemary DiCarlo, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela.

Conselho de Segurança debateu ataque ontem

Nesta segunda-feira (5), em Nova York, os governos de Brasil, China e Rússia, entre outros países, criticaram o ataque. Durante o Conselho de Segurança da ONU, o representante do governo de Donald Trump disse que se trata de uma operação policial e que “não há guerra”.

Brasil voltou a condenar a intervenção, mas não citou líderes nominalmente. O embaixador do país no Conselho de Segurança da ONU, Sérgio Danese, disse que o ataque à Venezuela afeta toda a comunidade internacional e cria um precedente perigoso para o mundo. “Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, declarou, diante dos demais países no colegiado.

“Força não pode se sobrepor à lei”, disse o representante do governo Lula. O brasileiro defendeu que o futuro daquele país deve ser construído pelo povo venezuelano, com diálogo e respeito às leis internacional.

Conselho de Segurança fez nesta segunda-feira (5) uma reunião extraordinária; Brasil não tem direito a voto no colegiado. O Conselho de Segurança é formado por 15 membros, sendo que apenas cinco deles são permanentes e podem votar: EUA, Rússia, França, Reino Unido e China. O encontro desta segunda-feira em Nova York foi convocado pela Colômbia, após o ataque dos EUA a Caracas, mas a Venezuela também fez um pedido no mesmo sentido.

China disse que o uso indiscriminado da força provocará crises maiores. O representante do país asiático, Fu Cong, afirmou que os americanos “pisotearam a soberania venezuelana” e “colocaram seus poderes acima do multilateralismo”.

Os chineses pediram que os EUA garantam a segurança de Maduro e sua esposa. “A China está profundamente chocada e condena fortemente as ações ilegais e os atos de bullying dos EUA que já acontecem há algum tempo”, declarou Cong.

Já a Rússia exigiu a libertação imediata do ditador venezuelano. O embaixador Vasily Nebenzya disse que não se pode permitir que os EUA “se autoproclamem juízes supremos que sozinhos tenham o direito de invadir países”.Ele condenou o ataque armado na Venezuela. O russo afirmou que o conflito deve ser resolvido com diálogo e que “não há justificativa para os crimes” americanos.

EUA tentam controlar a América Latina, disse o representante do governo de Vladimir Putin. Segundo Nebenzya, Washington teria interesse nos recursos naturais venezuelanos, principalmente no petróleo.

O que os EUA disseram

Representante norte-americano afirmou que “não há guerra” contra a Venezuela. Segundo o país, trata-se de uma operação das forças policiais, “seguindo denúncias que existem há décadas” para prender “um narcotraficante”, em referência a Maduro.

Ataque foi para “proteger americanos do narcoterrorismo”, justificaram os EUA. Na reunião, o país afirmou que não vai permitir que o Ocidente sirva como base de operações para rivais. “Não se pode deixar que as maiores reservas energéticas do mundo estejam sob o controle de adversários dos Estados Unidos”, disse o representante americano, Mike Waltz.

“Maduro é um presidente ilegítimo, ele não é um chefe de Estado. Por anos ele e seus asseclas têm manipulado o sistema eleitoral venezuelano para manter a força ilegítima do poder”, afirmou Waltz.

EUA são um dos cinco países com poder de veto. Isso significa que qualquer resolução que tente condenar, punir ou restringir ações americanas pode ser bloqueada pelo próprio governo americano. Apesar das limitações, o Conselho de Segurança ainda exerce influência política e diplomática e pode exercer pressão internacional.

O que a Venezuela disse

Venezuela acusa os EUA de sequestrarem Maduro e disse que o cenário ameaça outros países. “Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e a ameaça aberta de novas ações armadas são tolerados ou relativizados, a mensagem enviada ao mundo é devastadora: o direito internacional torna-se opcional, e a força passa a ser o verdadeiro árbitro das relações internacionais”, afirmou Samuel Moncada, representante do país.

Moncada disse que a Venezuela foi alvo de ataque por causa das riquezas naturais. Também disse que o ataque foi ilegítimo, sem embasamento jurídico e que a captura de Maduro viola normas do direito internacional.

Já a Colômbia disse que os EUA violam carta da ONU. “A Colômbia condena de forma categórica os acontecimentos na Venezuela. Representa uma evidente violação da soberania e independência política e integridade territorial”, diz a representante do país, Leonor Zalabata.

Secretário-geral da ONU enviou mensagem de repúdio à ação dos EUA. Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, leu a mensagem de António Guterres, que não pôde estar presente. Ele disse estar “profundamente preocupado com o desrespeito às normas do direito internacional” durante a ação dos EUA na Venezuela.

França e Dinamarca criticaram atitudes antidemocráticas de Maduro, mas condenaram ataque dos EUA. Os países disseram que cabe ao povo venezuelano escolher o seu destino, e não a outro país.
Argentina também se posicionou contra Maduro. Disse que as eleições da Venezuela em 2024 foram vencidas por Edmundo González, e que Maduro não tem atitudes democráticas desde que assumiu o poder. 

https://iclnoticias.com.br/onu-eua-violaram-direitointernacional-venezuela/

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