Brasil rejeita protetorado na Venezuela e divisão do mundo em esferas de influência Na ONU, Itamaraty apresentou a posição brasileira. Mas não fez referência aos EUA
05/01/2026 | 14h20
O governo brasileiro afirma que rejeita a divisão do mundo em esferas de influência e denuncia qualquer tentativa de criação de um protetorado na Venezuela.
A declaração foi feita no Conselho de Segurança da ONU, que virou um palco de troca de acusações entre potências. Mas o Itamaraty não mencionou uma só vez os nomes de Donald Trump ou mesmo os EUA durante seu discurso.
Nesta segunda-feira, em Nova York e poucos quilômetros de onde Nicolás Maduro estava sendo apresentado à Justiça, o órgão máximo das Nações Unidas foi convocado em caráter de emergência para lidar com a crise na Venezuela.
O que se viu, porém, foi a transformação do encontro em uma demonstração da tensão global e do abalo nas regras que administram as relações internacionais. Russos e chineses pediram que Maduro fosse libertado e não pouparam críticas contra o governo de Donald Trump, inclusive com termos pouco comuns nas reuniões na ONU.
Já o governo americano justificou a ação, alegando que Maduro não era o líder da Venezuela e que “não existe uma guerra contra a Venezuela”.
Ainda que não faça parte do Conselho, o Brasil pediu para participar do encontro e mandou um recado duro sobre as consequências dos atos contra Caracas.
O Itamaraty alertou que as normas internacionais “não permitem a exploração de recursos naturais ou econômicos para justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo”.
Além disso, o Brasil afirmou que “não acredita que a solução para a situação na Venezuela resida na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição”.
Trata-se de um recado contra a tentativa de Trump de “administrar o país”, como ele mesmo afirmou.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
