Trump exige 50 milhões de barris da Venezuela e abre crise diplomática com China

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Trump exige 50 milhões de barris da Venezuela e abre crise diplomática com China

Pequim alertou que ato de Trump é ilegal e que acordos entre Venezuela e China são protegidos pelo direito internacional
07/01/2026 | 05h13 

A diplomacia das canhoneiras é a lei hoje no Caribe. O presidente Donald Trump anunciou que o novo governo venezuelano aceitou entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, numa manobra que ameaça o abastecimento que estava sendo direcionado para a China.

Como resposta, Pequim condenou a atitude da Casa Branca e disse que os acordos que existem entre a China e a Venezuela são “protegidos pelo direito internacional”.

O governo americano ainda colocou dois dos principais protagonistas do chavismo em alerta: o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro das Defesa, Vladimir Padrino. Se aceitarem colaborar com a Casa Branca e garantir acesso às reservas de petróleo, serão tolerados em seus postos de comando. Caso contrário, correm o risco de ter o mesmo destino que Maduro.

Na noite de terça-feira, Trump colocou nas redes sociais o anúncio da entrega dos barris, avaliados em mais de US$ 2,5 bilhões.

“Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade” aos EUA, escreveu Trump em suas redes sociais.

O petróleo será vendido a preço de mercado, disse o republicano, acrescentando que o dinheiro será controlado por ele e usado para beneficiar as populações da Venezuela e dos EUA. Ele, porém, não explicou como isso seria feito.

O preço do barril caiu em mais de 2% nos EUA depois do anúncio de Trump. Hoje, a Venezuela tem reservas que representam sete vezes o volume do petróleo nos EUA, ainda que qualidade diferente.

Ainda que represente menos de 3 dias do consumo de combustível dos EUA, o volume é apenas o primeiro pagamento exigido pelos americanos e representaria entre 30 e 50 dias da produção venezuelana.

China condena ato e manda recado para EUA

Para existir, o pacto exigido por Trump teria de desviar recursos que estavam sendo destinados para a China.

Imediatamente, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, alertou  que “os direitos e interesses legítimos de outros países na Venezuela, incluindo os da China, devem ser protegidos”.

Pequim condenou a atitude da Casa Branca e a qualificou como “um típico ato de intimidação” que viola o direito internacional. Mao criticou a abordagem “America First” de Washington em relação aos recursos energéticos da Venezuela, afirmando que ela mina tanto a soberania venezuelana quanto a equidade econômica global.

“A Venezuela, como Estado soberano, tem plena autoridade sobre seus recursos naturais e atividades econômicas”, declarou Mao, destacando a posição da China como um parceiro fundamental no desenvolvimento energético e de infraestrutura da Venezuela.

A declaração reflete ainda as crescentes preocupações entre os investidores asiáticos sobre a estabilidade em regiões ricas em recursos naturais em meio à competição geopolítica.

Desde a adoção de sanções mais duras contra a Venezuela, em 2020, o governo de Pequim passou a garantir as compras de petróleo de Caracas. Cerca de 470 mil barris por dia são transportados para os portos chineses.

A relação entre os chineses e venezuelanos ainda tem uma década, com investimentos avaliados em US$ 2,1 bilhões no setor de energia.

A produção de petróleo da Venezuela caiu de cerca de 3,5 milhões de barris por dia, no auge nos anos 90, para apenas 1,1 milhão no ano passado.

Sem reservas para nossos adversários

O anúncio de Trump ocorreu horas depois de a diplomacia dos EUA ter afirmado, em uma reunião da Organização dos Estados Americanos, que Washington não aceitava que o volume de recursos naturais pudesse estar à disposição de “nossos adversários”.

Trump ainda insistiu, nos últimos dias, que a Venezuela terá de pagar pelo que “roubou” dos EUA nos últimos anos. Trata-se de uma referência à decisão, em 2007, do então presidente Hugo Chávez de colocar controles sobre a exploração de petróleo por estrangeiros.

Em 2019, um tribunal do Banco Mundial ordenou que a Venezuela pagasse US$ 8,7 bilhões em indenização à ConocoPhillips, algo que Caracas jamais aceitou fazer.

https://iclnoticias.com.br/trump-exige-50-milhoes-de-barris-da-venezuela-abala-china-e-quer-reservas/

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