Brasil alavanca Trump no comércio mundial e amplia déficit com EUA - Jamil Chade
Brasil alavanca Trump no comércio mundial e amplia déficit com EUA
No segundo trimestre do ano passado, os EUA somaram um superávit comercial e de serviços no valor de US$ 9,2 bilhões com o Brasil. Apenas um país no mundo esteve acima: a Holanda, com US$ 20 bilhões.
Ainda assim, no caso do país europeu, existem duas distorções. Muitos dos produtos que entram na UE usam o porto de Roterdã como local de desembarque no Velho Continente, ampliando a suposta relação comercial entre a Holanda e os EUA. O outro elemento da distorção é o tamanho dos serviços financeiros na Holanda, também com um impacto nas contas finais.
O Brasil supera ainda parceiros como Singapura (US$ 8,9 bi de saldo positivo aos americanos), Suíça (US$ 8,6 bi), Hong Kong (US$ 6,2 bi), Reino Unido (US$ 5,4 bi), Austrália (US$ 5,2 bi) e Arábia Saudita (US$ 3,3 bi).
Apesar de todo o esforço de Trump para fechar o buraco em suas contas, os EUA ainda mantém enormes saldos negativos com outros países. São eles:
- México US$ 50,3 bi
- Vietnã US$ 44,2 bi
- China US$ 33,1 bi
- Taiwan US$ 34,4 bi
- Alemanha US$ 15,8 bi
Excluindo o setor de serviços do cálculo, o Brasil também foi um dos grandes responsáveis por ajudar Trump a reduzir seu déficit.
Contando apenas o comércio de bens, os números oficiais de outubro mostram superávits dos EUA com a Suíça (US$ 7,3 bi), Reino Unido (US$ 6,8 bi), Holanda (US$ 5,1 bi), Hong Kong (US$ 2,8 bi) e o Brasil (US$ 2,7 bi), na quinta posição.
Os americanos continuam a sofrer um profundo déficit no fluxo de bens. Ele soma US$ 17,9 bilhões com o México, US$ 15,7 bilhões com Taiwan, US$ 15 bi com Vietnã e US$ 13 bi com a China.
A explosão do superávit americano com o Brasil ocorreu no momento de imposição de taxas e barreiras contra os produtos nacionais. Trump alegou que se tratava de uma retaliação por conta do tratamento recebido por Jair Bolsonaro. Mas, gradualmente, várias das tarifas foram retiradas.
Hoje, os produtos nacionais ainda sofrem impostos de pelo menos 10% para entrar no mercado americano, enquanto certos itens como os bens siderúrgicos chegam a pagar mais de 25% em taxas.
No geral, o Departamento do Censo dos EUA e o Departamento de Análise Econômica dos EUA anunciaram nesta quarta-feira que o mercado americano ainda registra um déficit comercial com o mundo.
Mas o buraco vem sendo drasticamente reduzido, desde que Trump passou a taxar produtos de adversários e aliados.
O déficit foi de US$ 29,4 bilhões em outubro de 2025, uma redução de US$ 18,8 bilhões em relação aos US$ 48,1 bilhões de setembro do ano passado.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
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