Ao bombardear a Venezuela sem aval do Congresso dos EUA nem do Conselho de Segurança da ONU, Donald Trump atropela de vez o seu discurso de “pacificador”
Ao bombardear a Venezuela sem aval do Congresso dos EUA nem do Conselho de Segurança da ONU, Donald Trump atropela de vez o seu discurso de “pacificador” — e enterra o seu sonho de ganhar o Nobel da Paz. Sequestrar o ditador Nicolás Maduro não legitima uma intervenção armada. Imagine a UE abduzindo Bolsonaro sob acusações pelos 700 mil mortos na pandemia? A ação militar dos EUA, a primeira contra a América Latina desde o Panamá em 1989, ameaça a paz regional e escancara motivações nada nobres: petróleo, hegemonia e diversionismo interno.
O Nobel da Paz, contudo, foi atropelado duas vezes. As ações dos EUA se intensificaram após a concessão do prêmio a uma defensora da intervenção na Venezuela. Maduro é um ditador, que fraudou as eleições para permanecer no poder, contudo, isso não beatifica a oposição. María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, tem um histórico antidemocrático. Trump escolhe seus inimigos, preserva ditadores amigos e prova que, na geopolítica, “paz” é conceito relativo.


