Salário mínimo no governo Bolsonaro: reajuste, aumento real e poder de compra

 


Salário mínimo no governo Bolsonaro: reajuste, aumento real e poder de compra

Entre 2019 e 2022, o salário mínimo passou por sucessivos reajustes durante o governo de Jair Bolsonaro. A maior parte desses ajustes teve como objetivo repor a inflação do período, ou seja, manter o poder de compra dos trabalhadores diante da alta de preços.

Reajuste x aumento real: qual a diferença?

Reajuste ocorre quando o salário é corrigido no mesmo ritmo da inflação. O valor nominal aumenta, mas o poder de compra permanece praticamente o mesmo.

Aumento real acontece quando o reajuste fica acima da inflação, gerando ganho efetivo para o trabalhador.

Como foram os reajustes no governo Bolsonaro (2019–2022)

Durante o período, os reajustes foram definidos, em geral, com base na inflação do ano anterior. Na prática, isso significou:

  • reposição inflacionária na maior parte dos anos;
  • pouco ou nenhum ganho real consistente;
  • em alguns momentos, leve perda de poder de compra.

Ou seja:

  • houve aumento nominal do salário mínimo;
  • mas quase não houve aumento real contínuo do poder de compra.

Valores do salário mínimo no período

2019 — R$ 998,00
Reajuste com reposição inflacionária.

2020 — R$ 1.039 (inicial) → R$ 1.045 (ajuste complementar)
Correção adicional para compensar inflação maior que a prevista.

2021 — R$ 1.100,00
Reajuste de aproximadamente 5,26%, enquanto o INPC do ano anterior foi de 5,45%.
Resultado: o valor ficou cerca de R$ 2 abaixo do necessário para repor totalmente a inflação, gerando uma pequena perda real de poder de compra.

2022 — R$ 1.212,00
Reajuste de aproximadamente 10,18%, com o INPC do ano anterior próximo de 10,16%.
Resultado: o reajuste ficou praticamente alinhado com a inflação, gerando ganho real próximo de 0% — ou seja, sem aumento efetivo de poder de compra.

Na prática, o pequeno ganho observado em 2022 foi pontual e muito próximo do índice inflacionário, não caracterizando uma política contínua de valorização do salário mínimo.

Política de cálculo adotada

Durante o período, os reajustes seguiram majoritariamente o critério de:

  • correção baseada na inflação do ano anterior;
  • sem aplicação contínua da antiga regra que somava inflação + crescimento do PIB.

Dessa forma, a política priorizou a manutenção do poder de compra, e não aumentos reais estruturais do salário mínimo.

Resumo sobre ganho real no salário mínimo (2019–2022)

2021 — R$ 1.100,00
Reajuste de cerca de 5,26% frente a um INPC de 5,45%.
O valor ficou aproximadamente R$ 2 abaixo do necessário para repor totalmente a inflação, resultando em pequena perda real de poder de compra.

2022 — R$ 1.212,00
Reajuste de cerca de 10,18%, praticamente igual ao INPC do período (cerca de 10,16%).
O ganho real foi próximo de 0%, sem aumento efetivo de poder de compra.

Assim, no período analisado, os reajustes foram principalmente correções inflacionárias, com pouco ou nenhum ganho real consistente.

Resumo: Entre 2019 e 2022, os reajustes do salário mínimo durante o governo Bolsonaro foram, em sua maior parte, destinados a repor a inflação. Em 2021, houve uma leve perda real de poder de compra, e em 2022 o reajuste ficou praticamente igual ao índice inflacionário, resultando em ganho real próximo de zero. Os valores subiram nominalmente, mas sem avanço consistente no poder de compra dos trabalhadores. 

Fontes e referências

  • IBGE — INPC (índice oficial de inflação)
  • Portarias do Ministério da Economia sobre reajustes do salário mínimo
  • Agência Brasil — publicações sobre os valores anuais do salário mínimo
  • Estudos e análises econômicas sobre evolução do poder de compra

Matéria produzida para fins informativos e de análise econômica. 

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