El Niño se fortalece enquanto ventos extremos atingem Rio e SP; entenda
El Niño se fortalece enquanto ventos extremos atingem Rio e SP; entenda
Rajadas superiores a 120 km/h no Rio de Janeiro e em São Paulo, temporais no Sul e um tornado no Rio Grande do Sul marcaram a semana no Brasil. Embora sejam classificados como eventos extremos, os fenômenos tiveram causas diferentes e não podem ser atribuídos diretamente ao El Niño.
No Sudeste, a ventania foi provocada principalmente pela passagem de uma frente fria sobre uma região que vinha registrando temperaturas elevadas e tempo seco. O encontro entre massas de ar com grande diferença de temperatura e umidade favoreceu a formação de uma frente de rajada, responsável pelos ventos intensos.
“Diretamente não está ligado, porque o que provocou a ventania em São Paulo e no Rio de Janeiro foi a chegada de uma frente fria”, explicou José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) ao site G1.
Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, esse tipo de ocorrência é raro no Sudeste durante a estação seca. “O El Niño está confirmado, mas ele mal começou, está longe de estar no máximo”, afirma. A informação é do G1.

E o que acontece no Sul?
No Rio Grande do Sul, a situação é diferente. A passagem de uma frente fria provocou chuva forte, raios, granizo e rajadas de vento em diversas cidades. Um tornado também atingiu municípios da região noroeste do estado e deixou estragos.
Nesse caso, existe uma relação mais conhecida com o El Niño. O fenômeno altera a circulação da atmosfera e pode favorecer a permanência de sistemas de chuva sobre o Sul do Brasil.
Durante episódios de El Niño, as condições atmosféricas podem contribuir para períodos mais prolongados de chuva na região. Temperaturas mais elevadas também podem favorecer a formação de temporais mais intensos.

El Niño deve ganhar força
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que a média. O fenômeno modifica a circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.
No Brasil, seus efeitos costumam incluir mais chuva no Sul, redução das precipitações no Norte e em parte do Nordeste e maior irregularidade das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. O fenômeno também pode contribuir para ondas de calor.
A expectativa é que o El Niño se fortaleça nos próximos meses, aumentando o risco de eventos extremos em diferentes regiões.
Apesar disso, os meteorologistas ressaltam que o fenômeno não explica sozinho as ocorrências recentes. O planeta já está mais quente devido às mudanças climáticas, o que aumenta a possibilidade de episódios de calor intenso, chuvas fortes, secas e outros extremos.
Assim, enquanto a ventania no Sudeste esteve diretamente ligada à passagem de uma frente fria, os temporais no Sul apresentam uma relação mais clara com as condições associadas ao El Niño. O aquecimento global, por sua vez, funciona como um fator que potencializa os extremos climáticos.