Na política, os melhores presentes às vezes vêm dos adversários.
Ao tentar isolar Lula e impulsionar Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei acabaram entregando ao presidente dois embrulhos com laço de fita azul.
Trump usou o tarifaço contra produtos brasileiros como ferramenta de interferência eleitoral, enquanto Milei aproveitou o lançamento da candidatura de Flávio para atacar Lula e inflamar a ultradireita.
A torcida bolsonarista vibrou nas redes, mas eleição não se vence apenas fazendo bolhas digitais gozar.
Fora dos algoritmos, o eleitor independente quer saber se a inflação vai cair, se o supermercado ficará mais barato e se seu emprego estará garantido. Quando Trump ameaça a produção nacional, o trabalhador não enxerga uma vitória da liberdade, mas o risco de demissão. Quando Milei aposta no caos, o centro teme que a instabilidade argentina atravesse a fronteira e atinja empregos.
A dupla, assim, prestou um serviço a Lula. Ao ligar Flávio a medidas que ameaçam empregos e renda, empurra o eleitor moderado para longe da oposição. O presidente sai no lucro porque seu adversário decidiu aplaudir quem joga contra o Brasil para agradar à torcida radical. Com isso, Flávio pode até perder a eleição, mas conservará o controle da direita — algo que seu pai deseja tanto quanto a própria liberdade.
