Cármen Lúcia repudia intromissão do governo Trump e de outros países na eleição brasileira
Cármen Lúcia repudia intromissão do governo Trump e de outros países na eleição brasileira
Ministra do Supremo Tribunal Federal afirmou que cabe apenas aos brasileiros decidir os rumos do país nas urnas
Aministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez nesta segunda-feira (27) uma contundente defesa da soberania nacional, da democracia e das urnas eletrônicas durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).
Em sua fala, a magistrada mandou um recado contra tentativas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e afirmou que cabe apenas aos brasileiros decidir os rumos do país nas eleições de outubro, marcadas para daqui a 70 dias.
Ainda que Cármen Lúcia não tenha citado diretamente nenhum líder político, sua declaração ocorreu logo após o jornal The Washington Post revelar que o governo Trump pretendia enviar dois emissários para desqualificar as urnas eletrônicas e após a participação do presidente argentino Javier Milei na convenção nacional do PL, que oficializou o nome de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.
Cármen Lúcia defende soberania nacional
Durante o discurso, a ministra afirmou que “ninguém” deve “interferir e fragilizar nossa democracia” e ressaltou que o futuro do país será definido exclusivamente pela vontade popular.
“Somos nós que temos que falar o que é para nós o Brasil que nós queremos, que nós temos por merecer e que construir”, declarou.
Embora não tenha mencionado nenhum líder estrangeiro, a fala ocorre em meio às recentes manifestações do governo dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral brasileiro, o que conferiu forte peso político ao pronunciamento.
Para Cármen Lúcia, a defesa da democracia exige vigilância permanente.
“Há que haver espaços como este que fortaleçam a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo”, afirmou.
Defesa das urnas eletrônicas
Ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia também voltou a defender o sistema eletrônico de votação.
Ela classificou as urnas como “seguras, transparentes e auditáveis” e associou o voto ao principal instrumento da soberania popular.
“É pela mão do povo que nós decidimos o que queremos. No caso brasileiro, muito mais que a gente nem precisa da mão, mas do toque de um dedo na nossa urna eletrônica segura, transparente, auditável, do povo! Do povo brasileiro, na urna brasileira, feita para o Brasil, assumida pelo povo.”
A ministra ainda contrastou o regime democrático com sistemas monárquicos, afirmando que, enquanto nas monarquias o poder pertence ao rei, nas democracias a decisão cabe aos cidadãos.
Embora não tenha citado diretamente as declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas, o discurso ocorre em meio à retomada dos ataques ao sistema eleitoral e reforça a posição institucional adotada pelo TSE ao longo dos últimos anos.
Democracia como conquista histórica
Cármen Lúcia aproveitou o evento para lembrar o papel desempenhado pela SBPC durante a ditadura militar. Segundo a ministra, instituições como a entidade funcionaram como espaços de resistência intelectual em um período de repressão às liberdades.
“Eu, no período em que fui estudante, algumas instituições eram nossa voz, porque estávamos com a boca amordaçada. Proibidas de pensar”, recordou.
Ela afirmou que as eleições internas da SBPC representavam uma das poucas oportunidades de manifestação democrática durante o regime militar. Ao encerrar a palestra, Cármen Lúcia fez um apelo para que os brasileiros exerçam plenamente a cidadania nas eleições deste ano.
“Não cobre de ninguém e nem renuncie à sua cidadania. Nós merecemos e temos a sorte de poder escolher quem a gente quer. É pela mão do povo que se luta permanentemente pela democracia.”
https://revistaforum.com.br/politica/carmen-lucia-repudia-trump/