Alberto Fernández chama Milei de “energúmeno” após visita ao Brasil

 


Alberto Fernández chama Milei de “energúmeno” após visita ao Brasil

Ex-presidente argentino rebateu comparações entre sua visita a Lula em 2018 e tentativa frustrada de Milei de ver Bolsonaro

Por: Lucas VasquesPublicado: 27/07/2026 - às 15h44| 



O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, chamou seu sucessor, Javier Milei, de “energúmeno”, em publicação na rede social X, após a visita do atual mandatário ao Brasil, neste sábado (25).

A declaração responde a críticos que comparavam as duas visitas a líderes presos, e chega em meio a uma crise diplomática sem precedentes entre Brasil e Argentina, desencadeada pelas ofensas de Milei ao presidente Lula, ao STF e ao povo brasileiro durante o evento em solo nacional.

Em sua publicação, Fernández foi direto ao ponto ao rebater quem equiparava sua ida a Curitiba em 2018, quando visitou Lula na prisão, com a tentativa de Milei de encontrar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente. Hoje Lula é Presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado. Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, publicou Fernández”.

A distinção que Fernández traça não é apenas biográfica: é política. Kirchnerista, corrente peronista de esquerda historicamente aliada ao PT no cenário regional, o ex-presidente posiciona a comparação como uma inversão de sentido, ressaltando que o tempo confirmou quem era o inocente e quem era o golpista. A fala condensa o alinhamento progressista que marcou sua gestão e que o coloca, hoje, no campo oposto ao de Milei.

Ofensas de Milei no Brasil e reação do governo brasileiro

A visita de Milei ao Brasil, no sábado (25), produziu um rastro de declarações que o governo brasileiro tratou como agressão direta ao Estado.

Em discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, exaltou a chamada “onda azul” na América do Sul, associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma suposta transformação política regional e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário”.

Após ter negada a visita a Jair Bolsonaro, foi além: chamou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de “lixo careca”.

A resposta do Itamaraty foi imediata e em dois movimentos. O governo convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, medida considerada dura nas relações internacionais, e convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” e cobrar explicações sobre a conduta de Milei em território nacional.

O Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “lamentável”, afirmando que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”.

O chanceler Mauro Vieira foi na mesma direção, descrevendo as declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” e uma “interferência em assuntos domésticos”, embora tenha descartado, por ora, medidas diplomáticas adicionais.

Implicações diplomáticas e políticas

A visita de Milei a Bolsonaro foi bloqueada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que em 17 de maio proibiu visitas “político-eleitorais” ao ex-presidente por 30 dias.

A medida foi tomada após Flávio Bolsonaro divulgar a chamada “Carta aos brasileiros”, escrita pelo pai, o que Moraes entendeu como violação das imposições da prisão domiciliar. Com exceção da equipe médica, fisioterapêutica e dos advogados, as visitas foram suspensas.

A convocação simultânea dos dois embaixadores sinaliza que o governo brasileiro não tratou o episódio como deslize retórico, mas como ruptura protocolar grave. O Itamaraty chegou a classificar o ocorrido como “infamante” para a relação bilateral, o que coloca a crise num patamar incomum entre países vizinhos e parceiros comerciais da magnitude de Brasil e Argentina.

A voz de Fernández, nesse contexto, não é a de um líder com poder institucional, mas carrega peso político simbólico: representa o campo progressista argentino que governou o país até 2023 e que mantém laços orgânicos com o petismo brasileiro.

https://revistaforum.com.br/global/alberto-fernandez-milei-energumeno/

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