O povo quer se entreter com vídeo curto. A realidade só vai se impor quando faltar energia para carregar o celular.
Três pessoas morreram em São Paulo e duas no Rio após ventos de até 125 km/h deixarem um rastro de destruição.
Eventos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes com o aquecimento global, mas nosso maior desafio como país e espécie recebe menos atenção eleitoral do que a anistia a golpistas — pauta que sequestrou o debate nacional como se fosse prioridade do povo.
A letalidade do vento, da chuva e da lama é multiplicada pela incompetência, incapacidade ou má-fé dos governos.
O clima mudou, mas a ação pública não o acompanhou.
E isso mata.
Desde a Rio 92, cientistas alertam para o desastre, mas para que ouvi-los se a verdade está no seu BFF babando bobagens no WhatsApp?
Enchentes, deslizamentos, secas e incêndios já integram o calendário brasileiro.
Enchentes, deslizamentos, secas e incêndios já integram o calendário brasileiro.
A desigualdade torna tudo pior: a especulação imobiliária empurra os pobres para áreas vulneráveis, pois deslizamento não ocorre nos Jardins nem na orla do Leblon.
Planos de adaptação existem, mas seguem no papel, enquanto políticos vestem capacete, calçam botas e fazem beicinho de preocupação diante das câmeras.
Candidatos deveriam explicar como retirar famílias de áreas de risco, investir em moradia e enfrentar setores predatórios.
Candidatos deveriam explicar como retirar famílias de áreas de risco, investir em moradia e enfrentar setores predatórios.
Mas diante de questionamentos sobre isso, exalam platitudes.
A realidade que queima, inunda e mata? Dane-se.
O povo quer se entreter com vídeo curto.
A realidade só vai se impor quando faltar energia para carregar o celular.