Com economia em frangalhos, Argentina está novamente no colo do FMI

 

Com economia em frangalhos, Argentina está novamente no colo do FMI

Visita de Kristalina Georgieva reforça influência do Fundo Monetário Internacional sobre os rumos da economia argentina, destaca o Página 12 


Redação Brasil 247

Publicado em 28 de julho de 2026 às 04:13 



247 – A visita da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, à Argentina simboliza o retorno do país à tutela do organismo internacional em meio à grave crise econômica enfrentada pelo governo de Javier Milei. Segundo reportagem do jornal argentino Página 12, a agenda da dirigente ultrapassou o caráter técnico e assumiu um forte significado político, evidenciando o respaldo do Fundo ao programa econômico da Casa Rosada.

Além de se reunir com Milei, Georgieva participou de uma reunião do gabinete ministerial, em um gesto considerado inédito. Para o Página 12, a presença da chefe do FMI em uma reunião de governo revela o grau de influência exercido pelo organismo sobre a condução da política econômica argentina.

Imagem simboliza relação de dependência

O jornal destaca também o simbolismo da fotografia divulgada após o encontro. Na imagem, Milei não ocupa a cabeceira da mesa, posição tradicionalmente reservada ao presidente da República. O destaque ficou para Georgieva e integrantes do gabinete, cena interpretada pelo periódico como um retrato da relação de dependência estabelecida entre o governo argentino e o FMI.

Durante a visita, Georgieva afirmou que a economia argentina “está em um bom caminho” e declarou não haver necessidade de novos desembolsos de recursos neste momento, reafirmando o apoio da instituição ao programa de ajuste conduzido pelo governo.

FMI monitora de perto a política econômica

O economista Jorge Carrera, citado pelo Página 12, avalia que a visita tem como objetivo acompanhar diretamente a situação fiscal do país e garantir a continuidade do programa de endividamento firmado com o Fundo. Segundo ele, a atuação do FMI também reflete a influência exercida pelos Estados Unidos sobre a política econômica argentina.

Embora tenha elogiado o programa oficial, Georgieva reconheceu problemas importantes na economia. Ela demonstrou preocupação com o avanço da informalidade no mercado de trabalho e defendeu a criação de empregos formais, destacando que as pequenas e médias empresas são responsáveis por grande parte da geração de postos de trabalho no país.

A dirigente afirmou ainda que uma reforma do mercado de trabalho será fundamental para melhorar a qualidade do emprego e aumentar a produtividade da economia argentina.

Crise segue afetando famílias e empresas

Apesar do discurso otimista, os indicadores econômicos continuam refletindo a fragilidade da situação interna. O Página 12 destaca que a inadimplência no sistema financeiro argentino atingiu quase 13%, muito acima dos 2,4% registrados em novembro de 2024, evidenciando a deterioração das condições de consumo e investimento.

Georgieva também fez um apelo para que os argentinos mantenham a perseverança diante das dificuldades, afirmando que a transformação econômica exige esforço contínuo da sociedade.

Após cumprir agenda em Buenos Aires, a diretora do FMI seguirá para o Uruguai e visitará a formação de Vaca Muerta, principal reserva de petróleo e gás não convencional da Argentina, em mais um gesto de apoio aos projetos considerados estratégicos para a recuperação econômica do país.

https://www.brasil247.com/america-latina/com-economia-em-frangalhos-argentina-esta-novamente-no-colo-do-fmi/

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