Javier Milei desembarcou em São Paulo não apenas como animador de auditório da extrema-direita, mas como bucha de canhão de Donald Trump.

 


Javier Milei desembarcou em São Paulo não apenas como animador de auditório da extrema-direita, mas como bucha de canhão de Donald Trump. 

No lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, atacou Lula e vem espalhando desinformação para oxigenar o bolsonarismo, excitar seus próprios seguidores e servir aos interesses da Casa Branca. Lula acerta ao ignorá-lo (“quem é esse cara?”) e deixar o caso para a diplomacia.


Traduzindo para quem não entendeu: Parça de Trump, Milei tenta cancelar Lula enquanto Flávio não farma aura.

Washington sabe que um ataque direto de Trump daria ao presidente brasileiro o poderoso discurso da defesa da soberania contra o imperialismo. Por isso, Marco Rubio iniciou a ofensiva com algum verniz diplomático, enquanto Milei assumiu o serviço sujo: a grosseria de sarjeta capaz de incendiar as redes da direita sem desgastar diretamente os Estados Unidos.

Milei tenta erguer a moral do clã Bolsonaro, desviar a atenção da difícil situação da classe trabalhadora argentina e ajudar a trazer para a direita a maior democracia latino-americana. A ironia é completa: quem se diz patriota aplaude um presidente estrangeiro atacando o Brasil, mesmo após o governo Lula ter ajudado a Argentina, inclusive protegendo sua embaixada em Caracas.

Milei morde o Brasil a serviço de Washington, enquanto o bolsonarismo celebra sua condição de colônia ideológica. 

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