Quaest: Volta da família Bolsonaro dá mais medo nos brasileiros do que Lula ficar no poder
Pesquisa publicada nesta quarta (11) mostra que população se preocupa mais com retorno do clã extremista ao Planalto do que com a permanência do petista por lá
Se a rejeição eleitoral pudesse ser traduzida em um sentimento visceral, o “medo” seria seu indicador mais preciso. Para além da intenção de voto positiva, o que o eleitor “não quer de jeito nenhum” costuma ditar o ritmo das campanhas e o teto de crescimento dos candidatos. Nesse cenário, a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), traz um dado indigesto para a oposição: o temor de um retorno da família Bolsonaro ao poder supera o receio da continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o levantamento realizado agora, em fevereiro de 2026, 44% dos brasileiros afirmam que o que lhes “dá mais medo hoje” é a volta da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Já o grupo que teme a permanência de Lula soma 41%.
Anatomia da Rejeição
O índice de medo é um recorte de altíssima relevância em pesquisas de opinião. Diferente da “aprovação”, que pode oscilar conforme medidas econômicas pontuais, o medo sinaliza uma barreira ideológica e emocional profunda. É o chamado “voto negativo”, aquele que mobiliza o eleitor a ir às urnas não por convicção em um projeto, mas para impedir a vitória de outro.
A leitura da série histórica revela que o medo da volta da família Bolsonaro se mantém em 44%, enquanto o medo de que Lula continue no cargo aparece com 41%, seguidos por 7% que afirmam ter medo dos dois igualmente, 4% que não temem nenhum deles e outros 4% que não souberam ou não responderam.
O clã no microscópio
O uso do termo “família Bolsonaro” na pergunta da pesquisa é estratégico. Em um momento onde o cenário político testa diversos nomes da direita, o temor do eleitorado se estende ao núcleo familiar e ao legado político do ex-presidente extremista condenado. Esse dado sugere que a rejeição não é apenas a uma figura isolada, mas ao modelo de gestão e à retórica associada a todo o grupo de extrema direita.
Embora a polarização continue nítida, o fato de o “fantasma” do retorno bolsonarista ser numericamente maior que o desgaste natural de quem está no exercício do poder aponta para um desafio significativo para a oposição.
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