NÃO DÁ MAIS
12/02/2026 | 07h00
Se já era grande, a pressão sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, por sua atuação no Caso Master, se tornou gigantesca nesta quarta-feira (11). Até então, os questionamentos ao ministro eram causado pelo método incomum que ele usa para conduzir a investigação e o processo da maior fraude bancária do Brasil. Os vínculos entre familiares de Toffoli e fundos de investimento que aparecem na teia ligada ao Master no Resort Tayayá, no Paraná, vinham sendo aprofundados pela imprensa.
Nesta quarta, soube-se que a Polícia Federal identificou no celular do empresário Daniel Vorcaro registros que fazem menção a pagamentos associados ao ministro do STF.
As informações foram publicadas pelo UOL, Folha de S.Paulo e portal Metrópoles.
A reportagem de Daniela Lima e Fábio Serapião, no UOL, diz ainda que foram encontradas mensagens trocadas entre o próprio Vorcaro e Toffoli.
O ICL Notícias confirmou as informações com fontes com acesso à investigação na PF e no STF.
De acordo com essas fontes, a perícia técnica conseguiu recuperar mensagens que haviam sido apagadas do aparelho apreendido com Vorcaro. Entre os diálogos analisados, aparecem referências ao nome de Toffoli vinculadas a tratativas envolvendo valores. O conteúdo integral permanece sob sigilo judicial, porém segundo apuração, os as mensagens encontradas extrapolam simples citações e foram considerados relevantes para avaliação jurídica do caso.
Com base nesse material, a Polícia Federal protocolou no Supremo um relatório que sugere a suspeição do ministro no inquérito que trata das operações do Banco Master. O documento foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a quem caberá decidir sobre a tramitação do requerimento. Para a corporação, as mensagens configuram elemento novo que exige análise sobre eventual comprometimento da imparcialidade.
O pedido foi formalizado diretamente no âmbito do STF, já que Toffoli atua em processos relacionados ao tema. A discussão, portanto, passa a ser interna à Corte e deverá considerar exclusivamente os elementos constantes nos autos.
Em manifestação pública, o gabinete de Toffoli afirmou que o requerimento da Polícia Federal se apoia em “ilações” e questionou a legitimidade da corporação para suscitar suspeição, sob o argumento de que não integra formalmente a relação processual como parte.
Eis a íntegra da nota:
“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.
Além disso, reportagem de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, revela que Toffoli teria admitido a pessoas próximas que recebeu dinheiro da Maridt, empresa que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro. A justificativa é que, naquela época, era sócio, juntamente com outros familiares.
O desdobramento amplia a tensão institucional em torno da investigação, que já envolvia debates sobre compartilhamento de provas, alcance das diligências e eventual conexão com autoridades detentoras de foro privilegiado.
No Senado, membros da Comissão de Assuntos Econômicos avaliam a possibilidade de solicitar acesso ao material apreendido, o que pode deslocar o caso também para o campo político.
A análise do pedido de suspeição passa agora ao crivo da presidência do Supremo, em um momento em que o inquérito deixa de se limitar à esfera financeira e passa a produzir reflexos diretos no núcleo do Judiciário.
Seja perante políticos, opinião pública ou os próprios pares, nunca se viu um caso de fraude em que um ministro do STF estivesse tão pressionado e sob tamanha suspeição.
(Com Cleber Lourenço)
https://iclnoticias.com.br/nao-da-mais/
