PGR defende pejotização, regime que praticamente suprime direitos trabalhistas

 


PGR defende pejotização,

regime que praticamente

suprime direitos trabalhistas


Parecer encaminhado ao STF pode afetar férias, 13º salário,
limite da jornada de trabalho e demais garantias previstas
na CLT
11/02/2026 | 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à validade da contratação de trabalhadores como pessoa jurídica em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A posição pode alterar de forma relevante a interpretação sobre vínculos de trabalho no país e impactar direitos como férias, jornada de trabalho e 13º salário.

O entendimento da PGR é de que esse tipo de contratação não é, por si só, inconstitucional. O documento foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e integra um recurso que discute qual ramo do Judiciário é competente para julgar contratos firmados entre empresas e profissionais contratados como PJ.

O caso tramita no STF sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Os ministros analisam se a Justiça comum pode julgar esses contratos de natureza civil e empresarial ou se a competência deve permanecer com a Justiça do Trabalho.

A Corte também deverá definir em que medida a pejotização pode ser considerada legítima, o que pode consolidar uma interpretação mais ampla sobre a liberdade contratual nas relações de trabalho.

No parecer, a PGR sustenta que a existência de prestação de serviços não autoriza, automaticamente, o reconhecimento de vínculo empregatício. Segundo o órgão, cabe à Justiça comum examinar inicialmente a validade dos contratos. Apenas nos casos em que for constatada fraude ou simulação haveria o deslocamento do processo para a Justiça do Trabalho.

Com esse entendimento, a Procuradoria reforça a tese de que a autonomia contratual deve prevalecer, desde que não haja desvio de finalidade.

Especialistas em direito do trabalho e integrantes do Ministério Público do Trabalho alertam para os riscos da ampliação da pejotização. Para eles, a prática pode fragilizar a proteção social garantida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Segundo esses críticos, a expansão do modelo pode resultar na perda de direitos como férias remuneradas, limite de jornada, FGTS e outras garantias legais, além de aumentar a insegurança jurídica e estimular disputas judiciais mais complexas.

Caso o STF acompanhe o entendimento da PGR, a tendência é de ampliação desse tipo de contratação pelas empresas, o que pode reduzir custos trabalhistas. Em contrapartida, trabalhadores assumiriam mais riscos e teriam menos garantias formais.

O STF ainda não definiu a data do julgamento. A decisão, no entanto, deverá ter repercussão geral, valendo para casos semelhantes em todo o país. 

https://iclnoticias.com.br/pgr-defende-pejotizacao-direitos-trabalhistas/

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