Justiça americana foi avisada sobre ‘riqueza significativa’ de Epstein no Brasil
Justiça americana foi avisada
sobre ‘riqueza significativa’ de
Epstein no Brasil
O risco de uma eventual fuga de Jeffrey Epstein ao Brasil pesou na decisão da Justiça dos EUA para mantê-lo preso. Três semanas depois, o financista seria encontrado morto em sua cela.
A informação faz parte dos documentos oficiais nos EUA sobre o processo contra Epstein. Em 2019, a defesa havia solicitado às cortes a autorização para que o financista aguardasse julgamento em sua residência americana. Os procuradores, porém, alertaram que ele representava um “grave risco” para a sociedade e que existia possibilidade real de fuga. Em 18 de julho daquele ano, o juiz Richard Berman, de Nova York, rejeitou o recurso e manteve Epstein em detenção.
O documento, porém, usa o depoimento de David Boies, que representava as vítimas identificadas neste caso. Ele informou ao Tribunal que, enquanto um processo civil estava em andamento, “tivemos situações em que testemunhas que estavam cooperando conosco foram contatadas pelo Sr. Epstein ou seus advogados e, em seguida, pararam de cooperar conosco”.
A acusação, portanto, era de que o criminoso havia pressionado as vítimas e que precisava ser mantido em prisão.
“A combinação das supostas ações enganosas do Réu (Epstein), o acesso a recursos financeiros substanciais, as frequentes viagens internacionais, a completa ausência de vínculos com os Estados Unidos e os extensos laços com países estrangeiros sem extradição demonstram que o Réu representa um sério risco de fuga”, alegou.
Num outro trecho da decisão de 33 páginas, a corte cita outro depoimento que aponta para o risco de uma fuga ao Brasil.
“O fator crucial, no entanto, é a ausência de viagens do réu para os Estados Unidos e suas extensas viagens para o Brasil, com o qual não existe tratado de extradição”, afirma.
Sem um tratado de cooperação, a extradição entre os dois países passa por um processo lento e que poderia permitir que o financista fosse blindado no Brasil de uma eventual condenação.
“Em nossa opinião, a perda de bens no valor de US$ 1 milhão nos Estados Unidos não o impediria de fugir, visto que no Brasil ele possui riqueza significativa, um emprego lucrativo, a presença de sua família e a garantia de nunca ser obrigado a comparecer a julgamento”, constata, sem dar detalhes de como seria essa relação entre o empresário e seus negócios no país.
“Considerando a totalidade das circunstâncias, o Tribunal conclui que o Governo demonstrou, por preponderância das provas, que o réu representa um sério risco de fuga e que não há condições que possam ser estabelecidas para garantir razoavelmente seu comparecimento ao julgamento”, completou.
Nas mais de 3 milhões de páginas sobre o processo de Epstein, o Brasil é citado tanto como destino de suas viagens com garotas como em referências ao fato de que ele recrutou meninas no país. Epstein ainda considerou comprar uma agência de modelos no Brasil para ter “acesso às mulheres”.
Na segunda-feira, o ICL Notícias revelou novas fotos dos arquivos do caso que mostram que Epstein mantinha uma pasta dedicada a seus temas sobre o Brasil. Não há qualquer indicação por parte da Justiça dos EUA de que esses documentos façam parte das informações eletrônicas reveladas na semana passada.
Em 2008, o financista já havia sido alvo de um processo e acabou sendo condenado depois da denúncia da mãe de uma das garotas. Epstein cumpriu 13 meses de prisão, mas com uma cláusula que lhe permitia passar seis dias por semana em seu escritório em Palm Beach.
Em 2018, ele voltou ao centro das atenções, depois da identificação de pelo menos 80 vítimas de abuso sexual por Epstein ou seus associados. Em 2019, um novo processo criminal federal foi instaurado contra ele.
Epstein foi preso em julho de 2019. No dia 10 de agosto, ele foi encontrado morto na mesma prisão.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade
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