Após rejeitar pacto com EUA, Lula fechará acordo de terras raras com Índia
Após rejeitar pacto com EUA,
Lula fechará acordo de terras
raras com Índia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fechar um acordo com o governo da Índia, aproximando os dois países nos temas de terras raras. Um memorando de entendimento que está sendo preparado é apenas um primeiro passo. Mas sinalizará alguns princípios que o Brasil quer usar para todos os futuros tratados sobre o tema: a garantia de que possa comercializar com qualquer parceiro e que o processamento também ocorra no Brasil.
Lula viaja na próxima semana para Nova Delhi e o pacto ocorre duas semanas depois de o Brasil rejeitar fazer parte de uma aliança criada pelo governo de Donald Trump sobre terras raras. A iniciativa da Casa Branca, conforme o ICL Notícias revelou com exclusividade, previa uma reserva de mercado aos EUA dos minérios brasileiros.
A aproximação cumpre uma função tanto para o Brasil como para a Índia. Ambos querem construir um cenário no qual não dependam nem do fornecimento da China e nem do mercado dos EUA. Os indianos, grandes importadores dos minérios chineses, buscam justamente diversificar seu fornecimento e olham para o Brasil com especial interesse.
Já o Brasil quer também se impor com seu próprio modelo de exploração do minério e sinalizando que pode existir alternativas ao que Donald Trump apresente.
Por enquanto, o tratado apenas fala de uma cooperação na troca de experiências e aproximação institucional. A ideia é de que, a partir dessa base, empresários de ambos os lados possam conversar.
O acordo ainda cumpre dois elementos centrais da postura do Brasil no que se refere às terras raras. O primeiro deles é o de evitar entrar em pactos que limite a possibilidade de o país vender para quem quiser. Com a segunda maior reserva do mundo, o Brasil não quer criar amarras para aproveitar o potencial que existe no país e nem ser fornecedor exclusivo de uma só potência.
O segundo aspecto é a garantia de que qualquer acordo preveja o processamento e refino desses minérios no Brasil, aumentando o valor agregado do que for exportador pelo país.
IA e desigualdade
Além de terras raras, a viagem de Lula para Índia ainda será marcada pela pauta de Inteligência Artificial e acordos no setor digital.
O governo brasileiro vem alertando desde 2023 que, sem um pacto global, existe um risco real de que as tecnologias de Inteligência Artificial ampliem as desigualdades entre os governos no mundo e estabeleça uma espécie de clube equivalente às potências nucleares.
O temor é que esse avanço tecnológico esteja sendo desenvolvido justamente num momento em que as instituições globais estão enfraquecidas.
Tema estará na agenda da reunião entre Lula e Trump
A aproximação com os indianos não significa que o Brasil fechará as portas para os EUA. Lula deve se reunir com Trump em março e a expectativa do governo brasileiro é de que o tema seja apresentado pelos EUA.
O ICL Notícias apurou que já houve uma troca de documentos nesse segmento, mas apenas com linhas gerais de intenções de ambos os lados.
Um primeiro passo, para o Brasil, é garantir que haja uma convergências de posições entre os governos. Mas há quem desconfie da capacidade de a negociação chegar a um ponto de maturidade até o encontro entre Lula e Trump.
Um dos cenários é de que os dois presidentes lancem as bases para uma cooperação e que, então, os respectivos ministérios trabalhem em um acordo.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
