Lula pede a Alcolumbre empenho por votação do fim da escala 6×1
Presidente pede avanço da proposta no
Senado, mas Alcolumbre aponta resistências
e falta de tempo antes das eleições de outubro
247 – O presidente Lula cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a votação do fim da escala 6×1, mas ouviu que as resistências do setor produtivo e o calendário eleitoral dificultam a aprovação da proposta antes das eleições de outubro.
As informações são do Estadão.
A cobrança ocorreu nesta quarta-feira (12), durante um café da manhã no Palácio da Alvorada que marcou a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre após mais de três meses de afastamento. Também participaram da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
No início da conversa, Lula pediu que Alcolumbre fizesse “o possível e o impossível” para retirar da gaveta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso. A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, mas ainda não avançou no Senado.
O presidente classificou a mudança como uma “pauta do Brasil”. A proposta também ocupa posição de destaque na estratégia eleitoral de Lula, que pretende disputar a reeleição em outubro.
Alcolumbre afirmou que nunca se colocou contra a PEC, mas cobrou maior participação do governo na construção de um acordo. Segundo ele, representantes do setor produtivo apresentam forte resistência à concessão de mais um dia de descanso semanal aos trabalhadores.
O presidente do Senado também argumentou que o Congresso dispõe de pouco tempo para analisar uma mudança constitucional dessa dimensão antes das eleições. Apesar das dificuldades, a bancada do MDB, formada por nove senadores, decidiu pressioná-lo a submeter a proposta a regime de urgência.
“Vamos conversar com os aliados do governo e da oposição. A partir de agora é pé na estrada e muito diálogo, para ver como as matérias vão tramitar. Mas estou aliviado porque foi tudo destravado”, afirmou José Guimarães.
O ministro também associou a reaproximação à disputa presidencial. “Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula”, declarou.
Retomada do diálogo envolve apoio político
O encontro no Alvorada representou um voto de confiança de Lula em Alcolumbre, embora integrantes do governo reconheçam a dificuldade de aprovar o fim da escala 6×1 antes da eleição. O presidente espera que o senador contribua para destravar propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.
Caso seja reeleito, Lula está disposto a apoiar Alcolumbre para mais um mandato na presidência do Senado em 2027. Em contrapartida, cobra a colaboração do parlamentar na tramitação da agenda governista e espera uma declaração pública de apoio à sua candidatura.
O Planalto considera importante obter o respaldo dos presidentes da Câmara e do Senado, dois dos principais líderes do Centrão, para ampliar o isolamento político da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já declarou voto em Lula. Na terça-feira (11), o presidente telefonou ao deputado para agradecer pelo apoio.
Congresso enfrenta calendário apertado
Com as campanhas eleitorais em andamento, Câmara e Senado estabeleceram períodos de esforço concentrado para realizar votações. O primeiro começou nesta semana e prossegue até sexta-feira (14). O segundo está previsto para ocorrer entre 31 de agosto e 3 de setembro.
O calendário reduzido torna mais difícil a aprovação de propostas complexas. Ainda assim, Alcolumbre comprometeu-se a destravar a PEC da Segurança Pública, outra matéria de interesse do governo que permanecia parada no Senado.
A proposta destina recursos provenientes das empresas de apostas esportivas e do fundo social do pré-sal ao financiamento de políticas de combate à criminalidade.
O Congresso também instalou comissões mistas para examinar medidas provisórias relacionadas à liberação de crédito extraordinário para ações de defesa civil em áreas atingidas por desastres, à redução das filas do INSS e a alterações no Código de Trânsito voltadas às atividades de motoboys e mototaxistas.
Lula e Alcolumbre deixam crise fora da conversa
O encontro não abordou a derrota do governo ocorrida em 29 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O revés, articulado com a participação de Alcolumbre, provocou o rompimento entre os dois.
“Nós conversamos sobre a relação institucional do futuro e o diálogo foi restabelecido”, disse o presidente do Senado. “Não falamos nada do passado”, acrescentou.
Lula não pretende entrar para a história como o primeiro chefe do Executivo a ter uma indicação ao STF rejeitada pelo Senado desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. O presidente tem afirmado que voltará a indicar Messias depois das eleições.
A manutenção do nome, porém, poderá depender da nova composição do Senado. Se a Casa ficar mais à direita e o governo concluir que Messias não reúne votos suficientes, existe a possibilidade de Lula rever a escolha.
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