A campanha de Flávio Bolsonaro divulgava que ele tinha pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ, embora não existam registros dele na instituição. Diante da repercussão, o senador seguiu a cartilha do pai e terceirizou a responsabilidade para a equipe.
Currículo não é um PDF burocrático, mas a assinatura de quem alguém diz ser. Falsificá-lo não é simples erro de digitação: é adulterar a base sobre a qual se pede confiança.
“Ah, japonês, quem nunca errou um dado no currículo?” Entendo, apesar de discordar. Mas aqui a diferença é que a pessoa em questão está pedindo para comandar a República e, por conseguinte, as Forças Armadas.
A campanha de Flávio Bolsonaro divulgava que ele tinha pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ, embora não existam registros dele na instituição. Diante da repercussão, o senador seguiu a cartilha do pai e terceirizou a responsabilidade para a equipe. Mas o nome estampado no currículo era o dele. Cabia a ele conferir.
E o “erro” não diminuiu a formação, mas a inflou com uma das universidades mais respeitadas do país. É uma versão de quem enfeita o currículo dizendo que estudou em Harvard.
Eleição é voto de confiança. Se um candidato distorce um fato facilmente verificável sobre o passado, por que acreditar nas promessas que faz para o futuro? Inflar credenciais para conquistar votos coloca a ambição pessoal acima da verdade e levanta uma pergunta incômoda: se a qualificação é forjada, a competência também é? Tanto que o senador correu para gravar vídeo tentando mostrar que era capacitado para o cargo.
Mentiras curriculares atingem políticos de todos os campos, da direita à esquerda, mas isso não pode normalizá-las. Cada fraude sem consequência rebaixa a régua pública, corrói a confiança nas instituições e ensina ao próximo candidato que mentir compensa, desde que a assessoria aceite carregar a bomba depois.