A descoberta de que um grupo extremista planejava explodir o Palácio do Planalto e atacar um debate presidencial mostra que o terrorismo doméstico não é fantasia de internet. Investigados compartilhavam mapas de prédios públicos e orientações para ataques.

 

A descoberta de que um grupo extremista planejava explodir o Palácio do Planalto e atacar um debate presidencial mostra que o terrorismo doméstico não é fantasia de internet. Investigados compartilhavam mapas de prédios públicos e orientações para ataques. 

Enquanto um grupo com mais de 600 integrantes espalhava neonazismo, misoginia e ódio, um núcleo de 46 pessoas discutia a execução dos planos.

É revelador o comportamento de quem pede a intervenção militar de Donald Trump no Brasil sob o pretexto de “combater o terrorismo”. Quando surgem extremistas reais, alimentados pelo mesmo ecossistema de desinformação, antipolítica e radicalização que essa turma cultiva, a indignação desaparece. Entram em cena o cinismo.

Os episódios violentos registrados em Brasília desde 2022 (tentativas de explodir o Aeroporto de Brasília e o STF, por exemplo) mostram o perigo de transformar pessoas frágeis e manipuláveis em supostos heróis de uma guerra imaginária contra a democracia. A ação policial é indispensável, mas insuficiente. Sem responsabilização das plataformas e regulamentação das redes, o ambiente digital continuará funcionando como espaço de cooptação e treinamento de radicais.

Enquanto a extrema direita pede que políticos estrangeiros ataquem o Brasil e defende uma internet sem regras, o verdadeiro terrorismo cresce nas próprias redes de ódio que ela alimenta.
leosakamoto

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Jorge Messias