Javier Milei não entendeu uma regra básica do comportamento nacional: brasileiro pode detonar o próprio país, mas não tolera estrangeiro fazendo isso com prepotência. Ao chamar Lula de ladrão e presidiário e compartilhar uma postagem que o trata como “porco”, o argentino imagina ajudar a extrema direita brasileira.
Javier Milei não entendeu uma regra básica do comportamento nacional: brasileiro pode detonar o próprio país, mas não tolera estrangeiro fazendo isso com prepotência. Ao chamar Lula de ladrão e presidiário e compartilhar uma postagem que o trata como “porco”, o argentino imagina ajudar a extrema direita brasileira.
Na prática, fortalece o petista e sabota Flávio Bolsonaro.
Nesse ritmo, seria mais eficiente doar diretamente para a campanha do PT.
Com sua metralhadora de recalque de celibatário involuntário, Milei aciona o reflexo nacionalista do eleitor independente justamente quando Lula explora o discurso da soberania, entregue de bandeja pela família Bolsonaro ao conspirar com os Estados Unidos em favor do tarifaço contra empregos e empresas brasileiras.
Há método nessa 5ª série. Atacar Lula ajuda Milei a desviar a atenção da conta que seu brutal ajuste fiscal cobra da classe trabalhadora argentina, rende pontos em sua vassalagem a Trump e anima a claque bolsonarista, além de arrancar suspiros de gestores da Faria Lima que parecem guardar um pôster dele na porta do armário.
Pesquisa Genial/Quaest mostra que o tiro pode sair pela culatra: entre os que não votaram em ninguém no segundo turno de 2022, 22% dizem que o apoio de Milei os aproxima de Lula, contra 15% de Flávio. É pouco, mas, numa eleição ultrapolarizada, até a birra importada pode decidir voto.