DEBATE NA BAND AO GOVERNO DE SÃO PAULO | ELEIÇÕES 2026 - Debate entre Tarcísio e Haddad aborda segurança, privatizações e relação de SP com governo federal

 

Debate entre Tarcísio e Haddad aborda segurança, privatizações e relação de SP com governo federal

Encontro foi marcado principalmente pelo confronto de números e pela comparação entre as gestões estadual e federal
10/08/2026 | 06h17 

Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) se enfrentaram neste domingo (9), no primeiro debate do primeiro turno realizado pela Band. O encontro foi marcado principalmente pelo confronto de números e pela comparação entre as gestões estadual e federal. Segurança pública, privatizações, dívida de São Paulo, tarifaço imposto pelos Estados Unidos e crime organizado estiveram entre os principais temas.

Haddad concentrou parte de sua estratégia em destacar investimentos e obras do governo federal no estado e acusou Tarcísio de não reconhecer essas iniciativas. O petista também tentou associar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Tarcísio inicialmente evitou nacionalizar a disputa, mas posteriormente passou a defender Bolsonaro e a criticar o governo Lula.

Segurança pública domina primeiro bloco

No primeiro bloco, dedicado ao confronto direto entre os candidatos, Tarcísio iniciou abordando números relacionados ao ensino técnico, mas a discussão rapidamente migrou para segurança pública e para a situação da Cracolândia.

Haddad criticou o governador por, segundo ele, não reconhecer ações de gestões anteriores e citou o programa de acolhimento de dependentes químicos implementado quando comandou a Prefeitura de São Paulo. O petista também levou para o debate o aumento dos casos de feminicídio.

Tarcísio respondeu destacando a redução de indicadores de violência no estado e voltou a questionar as políticas adotadas para o centro da capital. Haddad, por sua vez, questionou decisões da atual administração no combate ao crime organizado e à infiltração de facções.

Outro tema discutido foi a educação. Haddad criticou uma plataforma contratada pelo governo estadual, afirmando que ela estaria prejudicando o trabalho dos professores.

A dívida de São Paulo e a relação com o governo federal também provocaram um dos principais embates. Tarcísio acusou Brasília de não colaborar com o estado, enquanto Haddad afirmou que o governador deixou de aderir a iniciativas federais por questões políticas.

Bolsonaro também entrou na discussão. Tarcísio agradeceu ao ex-presidente pela oportunidade de ter ocupado o Ministério da Infraestrutura. Haddad questionou ainda se o governador manteria indicações ligadas a Eduardo Bolsonaro na área de segurança pública.

Debate na Band entre Tarcísio e Haddad. Foto: Brazil Photo Press/Folhapress
Debate na Band entre Tarcísio e Haddad. Foto: Brazil Photo Press/Folhapress

Tarifaço no segundo bloco

No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos. O primeiro assunto foi o túnel entre Santos e Guarujá. Tarcísio reconheceu a participação do BNDES no projeto, enquanto Haddad defendeu sua atuação no governo federal.

O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump também foi abordado. Haddad criticou o apoio do bolsonarismo aos Estados Unidos e defendeu a soberania brasileira. Tarcísio afirmou que as tarifas prejudicam empresas paulistas e lamentou a medida.

O agronegócio foi outro tema, mas não provocou grandes confrontos.

Na sequência, o crime organizado voltou ao centro do debate. Uma declaração de Tarcísio sobre a presença de uma suposta traficante em um evento relacionado à Favela do Moinho provocou reação da plateia. Haddad classificou a fala como deselegante e questionou por que a mulher não havia sido presa caso sua condição fosse conhecida.

Privatizações dominam terceiro bloco

No terceiro bloco, novamente dedicado a perguntas entre os candidatos, Haddad atacou a política de privatizações do governo estadual. Ele citou as concessões da CPTM e da Sabesp e questionou o que chamou de programa “voraz de privatização”.

Tarcísio defendeu as parcerias com a iniciativa privada e afirmou que algumas privatizações são necessárias. Também voltou a apresentar propostas para a educação, como o chamado Pacto da Matemática.

A privatização da Sabesp foi novamente discutida. Haddad mencionou apontamentos de órgãos de controle sobre concessões e desestatizações, enquanto Tarcísio sustentou que a mudança trouxe avanços para o saneamento.

O Free Flow nas rodovias também entrou no confronto. Tarcísio criticou o modelo utilizado em estradas federais, enquanto Haddad argumentou que o problema está na forma como o sistema de pedágio foi implantado em São Paulo.

Em outro momento, Tarcísio levou a discussão para a taxa de juros e questionou Haddad sobre a tabela do SUS. O petista, antes de responder, voltou a citar críticas de tribunais de contas às privatizações.

As mudanças climáticas também foram tema de embate. Haddad acusou o grupo político de Tarcísio de adotar posições negacionistas e relacionou o assunto à vacinação e ao aumento de casos de sarampo.

Tarcísio, por sua vez, voltou a explorar temas nacionais, como a Lava Jato, e questionou se o PT havia feito um “mea culpa” sobre os casos de corrupção investigados pela operação.

Na parte final, os candidatos apresentaram números sobre investimentos e Tarcísio fez um elogio ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Nas considerações finais, Haddad retomou a discussão sobre a Sabesp e questionou:

“Tarcísio, eu ouvi mal ou você falou que depois da privatização da Sabesp a conta ia baixar?”

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