Papa, cidadão dos EUA, eleva tom com Trump por frase sobre “matar toda civilização do Irã”

 


Papa, cidadão dos EUA, eleva tom com Trump por frase sobre “matar toda civilização do Irã”

Leão XIV deixou o discurso prolixo e as palavras óbvias de lado e disse que ameaça do líder norte-americano é uma “questão moral e de direito internacional”

Por: Henrique Rodrigues
Publicado: 07/04/2026 - às 17h07 

Em um movimento que rompe com a tradicional cautela diplomática e o estilo costumeiramente denso de suas alocuções, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano da História, subiu o tom de forma inédita contra a Casa Branca, o governo de seu próprio país. 

O alvo direto foi o presidente Donald Trump, cujas recentes ameaças de aniquilação total contra o Irã empurraram o mundo para a beira de um abismo humanitário e jurídico sem precedentes. 

O embate, que ganha contornos de um duelo ético entre o líder máximo da Igreja Católica e o comandante da maior potência militar do planeta, atingiu o ápice nesta terça-feira (7). 
Leão XIV classificou como “inaceitáveis” as declarações de Trump, que sugeriram que uma “civilização inteira morrerá” em decorrência de ataques iminentes.

Fim da paciência e o apelo à moralidade

Conhecido por um estilo de pregação que muitos analistas consideravam, até então, excessivamente prolixo e carregado de obviedades, Leão XIV parece ter encontrado na urgência do conflito a clareza necessária para o confronto. O pontífice abandonou as metáforas seguras para tratar o que chamou de “uma questão de direito internacional, mas muito mais do que isso, uma questão moral”.

A irritação do Vaticano com Washington não é de hoje, mas escalou drasticamente desde o último dia 29 de março, quando o Papa afirmou categoricamente que Deus “não escuta as orações de líderes que promovem a guerra”. 

Agora, diante da iminência de um bombardeio em larga escala contra a infraestrutura civil iraniana, incluindo pontes e usinas de energia, Leão XIV lembrou que tais alvos são protegidos por convenções internacionais e que o sofrimento atingiria, inevitavelmente, os mais vulneráveis.

“A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral”, sentenciou o Papa, fazendo um apelo global para que cidadãos de todas as nações pressionem seus representantes políticos pelo fim imediato das hostilidades, e lembrando que “há crianças envolvidas nisso como vítimas”.

A “profecia” de Trump e o Estreito de Ormuz

Do outro lado do Atlântico, a retórica de Donald Trump segue uma lógica apocalíptica. Utilizando sua rede social, Truth Social, o presidente norte-americano estabeleceu prazos fatais relacionados à reabertura do Estreito de Ormuz, ponto vital para o escoamento de petróleo global. Segundo Trump, se um acordo não for selado, o ataque previsto para a noite desta terça-feira será um dos momentos mais impactantes da “complexa história do mundo”.

Em um texto que mistura ameaça existencial com uma espécie de messianismo político, Trump escreveu:

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total […] talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer.”

O ultimato de Trump prevê a destruição de infraestruturas vitais em questão de horas caso o relógio atinja o limite estabelecido pelo Salão Oval.

Direito Internacional sob ataque

A crítica de Leão XIV toca na ferida aberta da legalidade bélica. Ao ameaçar bombardear alvos civis necessários para a sobrevivência da população, a administração Trump flerta com crimes de guerra tipificados em tratados dos quais os próprios EUA são signatários.

O Irã, por sua vez, já sinalizou que a reação não será passiva. Teerã indicou que, em caso de ataque, alvos semelhantes em países vizinhos aliados dos EUA, como refinarias de petróleo e usinas de dessalinização, entrarão na mira de seus mísseis, o que poderia desencadear um colapso energético e humanitário em todo o Oriente Médio.

https://revistaforum.com.br/global/papa-cidadao-dos-eua-eleva-tom-com-trump-por-frase-sobre-matar-toda-civilizacao-do-ira/

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