Carga tributária no Brasil sobe para 32,4% do PIB em 2025
Carga tributária no Brasil sobe
para 32,4% do PIB em 2025
A carga tributária bruta do governo brasileiro chegou a 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira. O resultado representa uma alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024 e marca o maior nível da série histórica iniciada em 2010.
A carga tributária bruta considera a arrecadação de impostos e contribuições dos governos federal, estaduais e municipais em relação ao tamanho da economia. O levantamento faz parte do Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral de 2025 e segue o padrão internacional do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas do FMI.
O aumento da carga tributária em 2025 foi impulsionado principalmente pela arrecadação federal. Entre os fatores que mais contribuíram estão o crescimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a elevação das contribuições ao INSS.
O avanço do IRRF está ligado ao crescimento da massa salarial e do emprego formal, enquanto o IOF foi influenciado por operações de crédito e câmbio. Já as contribuições previdenciárias cresceram com a expansão do mercado de trabalho e a reoneração gradual da folha de pagamentos.
Estados tiveram queda e municípios leve alta na carga tributária
Na esfera estadual, houve redução de 0,09 ponto percentual do PIB na carga tributária, principalmente por causa do desempenho do ICMS. Embora a arrecadação tenha crescido em termos nominais, ela avançou menos que o PIB, refletindo um crescimento econômico concentrado em setores com menor incidência do imposto.
Nos municípios, a carga tributária subiu 0,03 ponto percentual, puxada pelo aumento da arrecadação do ISS, acompanhando a expansão do setor de serviços. Impostos sobre propriedade, como o IPTU, também contribuíram para o resultado, ainda que de forma mais moderada.
Impostos sobre consumo ainda lideram arrecadação
A composição da carga tributária brasileira permaneceu relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços continuam sendo a principal fonte de arrecadação, apesar de uma leve queda na participação em relação ao PIB.
Já os impostos sobre renda e ganhos de capital apresentaram crescimento, assim como as contribuições sociais destinadas ao regime geral da Previdência.
Entre os tributos federais que mais cresceram estão:
- IOF, impulsionado por operações de crédito e câmbio
- IRRF, com aumento devido ao crescimento da massa salarial
- Contribuições previdenciárias, com avanço do emprego formal
- Imposto de Importação, influenciado pelo comércio exterior
No caso do IRRF, o aumento não ocorreu por elevação de alíquotas, mas pelo crescimento da economia e do número de trabalhadores com carteira assinada, o que eleva automaticamente a arrecadação.
Brasil perto da média de países desenvolvidos
Mesmo com a alta, a carga tributária brasileira permanece próxima ao padrão internacional. O nível de 32,4% do PIB está ligeiramente abaixo da média dos países da OCDE, que gira em torno de 34%, e bem acima da média da América Latina, próxima de 21%.
Apesar da semelhança com economias desenvolvidas, a estrutura tributária do Brasil é diferente. O país concentra grande parte da arrecadação em impostos sobre consumo e folha de pagamento, enquanto nações da OCDE têm maior peso de tributos sobre renda e patrimônio, o que gera debates sobre a necessidade de reformar o sistema tributário brasileiro.
