O discurso de parte do empresariado contra o fim da escala 6x1 veste a fantasia da “negociação coletiva”, mas esconde uma estratégia velha
O discurso de parte do empresariado contra o fim da escala 6x1 veste a fantasia da “negociação coletiva”, mas esconde uma estratégia velha: empurrar direitos básicos para um campo onde o trabalhador mais fraco já entra derrotado. Falar em negociação soa bonito no papel, mas na vida real de quem pega condução de madrugada e vive exausto, isso vira chantagem: emprego ou dignidade, escolha um.
Ao fragmentar a decisão por categoria, o que se promove não é liberdade, é divisão. Setores mais vulneráveis, com pouca força sindical, ficam presos a jornadas desumanas enquanto outros avançam. Não é negociação, é rendição por desgaste. Ainda mais num país onde a reforma trabalhista enfraqueceu sindicatos, insistir nisso beira o cinismo.
O argumento de “especificidade de cada setor” serve como desculpa para manter tudo como está. Enquanto isso, trabalhadores adoecem, famílias se desintegram e o tempo de vida vira moeda de troca.
Garantir o fim geral da 6x1 por lei não é radicalismo, mas civilidade mínima. Direitos básicos não deveriam depender da boa vontade do patrão. Insistir no contrário é aceitar uma sociedade onde alguns vivem e outros apenas trabalham até quebrar.
