Ramagem foi preso pelo ICE nos Estados Unidos.
Que pague pelos seus crimes aqui no Brasil.
Há algo de profundamente didático na prisão de Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-chefe da espionagem no governo Jair Bolsonaro, ocorrida pelas mãos do ICE — a violenta agência que transformou a vida de trabalhadores migrantes e cidadãos norte-americanos em um inferno sob o governo Trump. Condenado pela tentativa de golpe de Estado no Brasil, ele se pirulitou para os Estados Unidos. Segundo a Polícia Federal, foi preso por estar em situação migratória irregular.
Em novembro de 2025, o ex-deputado afirmou em uma entrevista: “Eu estou seguro aqui com a anuência e o conhecimento do governo americano”. A frase envelheceu mal. Muito mal. Ou o ICE cometeu um erro ou Ramagem partiu do pressuposto que a Casa Branca concordava com sua permanência. Mesmo que seja libertado, já mostrou que não prestá protegido como pensava.
O ICE é uma instituição que ganhou caráter fascista, gerando protestos de rua em dezenas de cidades dos EUA após ter assassinado dois cidadãos norte-americanos em Mineápolis. Não merece ter sua existência celebrada nem quando cumpre a lei. Mas Ramagem precisa reconhecer que, ao que tudo indica, foi alcançado por algo mais prosaico. Em tentativas de perverter a democracia, como a que foi levada a cabo no Brasil por ele e seus aliados e a que vem sendo posta em prática nos EUA, o rolo-compressor não distingue lealdades quando decide funcionar.
Imagine se o golpe aqui tivesse dado certo…

