Moraes manda PF apurar se Flávio Bolsonaro cometeu crime em post contra Lula

 


Moraes manda PF apurar se 

Flávio Bolsonaro cometeu 

crime 

em post contra Lula

Polícia Federal terá prazo de 60 dias para
realizar as diligências iniciais
15/04/2026 | 11h48

Por Cleber Lourenço

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instauração de inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro por declarações feitas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em rede social. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (13), no âmbito da Petição 15.648, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o documento, a investigação tem como base uma publicação realizada no dia 3 de janeiro de 2026, na qual o senador afirma que Lula “será delatado” e associa o presidente a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e fraudes eleitorais. O despacho detalha o conteúdo da mensagem publicada: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, trecho que embasa a representação apresentada pela Polícia Federal.

Post de Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução)
Post de Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

Na decisão, Moraes destaca que a manifestação ocorreu em ambiente público e com ampla disseminação, com potencial de alcançar milhares de usuários. “Trata-se, portanto, de publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas, por meio da qual se imputa fatos criminosos ao Presidente da República”, registra. O ministro ainda ressalta que a publicação menciona explicitamente a prática de crimes graves ao fazer referência à delação premiada, reforçando o caráter acusatório da mensagem.

A Procuradoria-Geral da República sustentou que a postagem apresenta indícios concretos de prática delitiva. Em parecer citado na decisão, o órgão afirma que houve atribuição falsa e vexatória de crimes ao chefe do Executivo, em conteúdo divulgado de forma ampla nas redes sociais. Para a PGR, a conduta se enquadra na hipótese de imputação criminosa sem lastro probatório, elemento central para a caracterização do delito de calúnia.

“A providência pleiteada está amparada em publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de usuários, em que se atribui falsamente, de maneira pública e vexatória, fatos delituosos ao Presidente da República”, aponta a manifestação da PGR.

Com base nesses elementos, Moraes determinou a abertura formal da investigação. “Determino a instauração de inquérito em face de Flávio Nantes Bolsonaro, para apuração da suposta prática do crime de calúnia previsto no art. 138, caput, c/c art. 141, I e § 2º do Código Penal”, decidiu o ministro, detalhando o enquadramento jurídico da conduta investigada.

O despacho também estabelece o envio dos autos à Polícia Federal, que ficará responsável pela condução das diligências no prazo inicial de 60 dias. A decisão determina expressamente: “Encaminhem-se os autos à Polícia Federal para adoção das providências cabíveis, no prazo de 60 dias”. A investigação será supervisionada pelo próprio STF, em razão do foro por prerrogativa de função do senador.

Além da abertura do inquérito, Moraes determinou o levantamento do sigilo do processo. Segundo o ministro, não há elementos que justifiquem a manutenção da restrição de acesso, citando o princípio da publicidade previsto na Constituição. “Determino, ainda, o levantamento do sigilo desta Pet, uma vez que não se encontram presentes os elementos excepcionais que permitem o afastamento da ampla publicidade”, registra a decisão.

O caso teve origem em representação encaminhada pela Polícia Federal, instruída por requisição do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontou a existência de possível prática criminosa a partir da publicação feita pelo parlamentar. A peça inicial aponta que as declarações do senador extrapolam os limites da crítica política ao atribuir crimes específicos ao presidente sem apresentação de provas.

No entendimento do STF, a imputação direta de condutas criminosas, quando não sustentada por elementos concretos, pode configurar crime contra a honra, especialmente quando ocorre em plataformas de grande alcance.

A decisão insere o episódio no campo de tensão recorrente entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio a disputas envolvendo o uso de redes sociais e os limites da liberdade de expressão no ambiente digital.

Com a instauração do inquérito, a Polícia Federal deverá reunir elementos sobre o contexto da publicação, o alcance do conteúdo e eventual intenção do parlamentar ao associar o presidente a práticas ilícitas.

O procedimento pode resultar no arquivamento do caso, caso não sejam encontrados indícios suficientes, ou no oferecimento de denúncia pela Procuradoria-Geral da República ao STF, o que abriria uma nova fase no processo.

A decisão reforça a linha adotada pela Corte em casos que envolvem acusações públicas de crimes sem comprovação, especialmente quando direcionadas a autoridades e disseminadas em redes sociais com amplo alcance.

Flávio Bolsonaro classifica inquérito como ‘censura’

 

O senador Flávio Bolsonaro, em nota, afirmou que a instauração de inquérito determinado pelo ministro Alexandre de Moraes “evoca práticas de censura”.  “A abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar”, diz a nota.

“O Senador Flávio Bolsonaro recebe com profunda estranheza a decisão do Ministro Alexandre de Moraes que determinou a instauração de inquérito para apurar suposta calúnia contra o Presidente da República. A medida é juridicamente frágil, uma vez que a publicação objeto do procedimento carece de qualquer tipicidade penal. Na postagem em questão, o Senador limitou-se a noticiar fatos e relatar os crimes pelos quais Nicolás Maduro foi preso e é processado internacionalmente, sem realizar imputação criminosa direta contra Luiz Inácio Lula da Silva.

A abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar. O procedimento evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral, sob a mesma condução, impôs um flagrante desequilíbrio ao proibir termos como “descondenado” para se referir ao petista, enquanto permitia ofensas sistemáticas contra o então Presidente Jair Bolsonaro.

Chama atenção que a distribuição da ação tenha ocorrido justamente ao Ministro Alexandre de Moraes, personagem central do desequilíbrio democrático recente. Reiteramos que não cederemos a intimidações ou ao uso do aparato policial e judiciário para silenciar a oposição. O governo Lula deve explicações sobre suas relações com a ditadura venezuelana, e nenhuma pressão impedirá nosso dever constitucional de fiscalizar e defender as liberdades fundamentais dos brasileiros.”

https://iclnoticias.com.br/moraes-manda-pf-apurar-se-flavio-bolsonaro/



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