Presidente Lula participa da 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global - Presidente brasileiro foi a grande estrela do Global Progressive Mobilisation e gerou até tumulto diante de uma plateia que o aplaudia a cada palavra
“Extremismo impõe um novo desafio”, diz Lula em discurso ovacionado no GPM
Presidente brasileiro foi a grande estrela do Global Progressive Mobilisation e gerou até tumulto diante de uma plateia que o aplaudia a cada palavra
Diagnóstico do retrocesso e a autocrítica progressista
Lula não optou pelo caminho fácil do discurso meramente celebrativo. Pelo contrário, elevou o tom para fazer um diagnóstico severo sobre as falhas das esquerdas e o avanço da extrema direita global.
Com um semblante sério, o presidente brasileiro confrontou o auditório com uma realidade incômoda sobre a economia mundial e a gestão das crises recentes.
“O extremismo impõe um novo desafio… O campo progressista conseguiu avançar na pauta dos direitos, a situação dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas negras e das minorias é muito melhor hoje do que no passado, e não é coincidência que a reação das forças reacionárias tenha vindo de forma tão violenta com a misoginia, o racismo e o discurso de ódio. Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. O projeto neoliberal prometeu prosperidade, mas entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. E ainda assim nós sucumbimos à ortodoxia. Nós temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo”, disse Lula, em forte tom.
O silêncio absoluto que se seguiu à frase foi interrompido por uma salva de palmas que durou quase meio minuto. Para os analistas presentes, a fala marca um momento de inflexão, onde o Brasil se coloca como o principal crítico da manutenção de modelos econômicos que, na visão de Lula, pavimentam o caminho para o autoritarismo ao não entregarem bem-estar social real às populações.
Anatomia da extrema direita
O presidente brasileiro também utilizou o palco em Barcelona para detalhar a gravidade das ameaças institucionais que o Brasil enfrentou recentemente, conectando-as a um movimento global de desestabilização. Sem poupar adjetivos, ele descreveu as contradições morais daqueles que atacam o sistema democrático sob o pretexto de defender valores tradicionais ou a liberdade de expressão.
“O risco que a extrema direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado, orquestrou um plano que previa tanque na rua e que previa o assassinato do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O Papa Leão XIV disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é o de desmascarar essas forças, desmascarar esses que dizem estar ao lado do povo, mas que governam para os mais ricos. Que dizem ser patriotas, mas põem a soberania a venda e pedem sanções contra o seu próprio país. Os que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças, e que se declaram os donos da verdade mas vivem de espalhar mentiras e desinformação. Os que se consideram homens de Deus, mas que não têm amor ao próximo. Os que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”, afirmou o líder brasileiro, sob aplausos que o interrompiam a cada sentença.
A citação ao pontífice e a descrição detalhada das tramas golpistas no Brasil serviram para dar peso histórico à sua tese de que o embate atual não é apenas partidário, mas civilizatório.
Um chamado à coragem política
Caminhando para o encerramento, Lula instou os líderes progressistas e a juventude presente a abandonarem a timidez no debate público. O presidente destacou que a moderação excessiva diante de ameaças radicais pode ser interpretada como fraqueza ou conivência.
“Nós não podemos ter medo de falar mais alto, e falar com responsabilidade. E não devemos ter medo de contrapor argumentos”, enfatizou, deixando claro que a disputa narrativa deve ser direta e baseada na realidade dos fatos e das necessidades populares.
Tumulto na saída e impacto diplomático
A saída de Lula do pavilhão principal da Fira Barcelona foi digna de um evento de grandes proporções. Eram tantos os admiradores, militantes de movimentos sociais europeus e jornalistas de veículos de todo o mundo tentando se aproximar do brasileiro que um princípio de tumulto foi registrado.
Seguranças tiveram dificuldade para conter o “empurra-empurra” enquanto o público tentava tocar o presidente ou conseguir uma declaração extra.
O impacto de sua fala no GPM deve ecoar nas próximas reuniões multilaterais. Em Barcelona, ficou nítido que, para o mundo, o Brasil não apenas voltou ao jogo diplomático, mas voltou como um dos seus principais protagonistas, capaz de mobilizar corações e mentes muito além de suas fronteiras.
https://revistaforum.com.br/global/extremismo-lula-discurso-barcelona-gpm/

