Deputado aciona PGR para investigar doações ligadas a Bolsonaro no caso Master

 

Deputado aciona PGR para investigar doações ligadas a Bolsonaro no caso Master

Representação aborda transferências atribuídas a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio
12/03/2026 | 16h19 

Por Cleber Lourenço

O deputado federal Lindbergh Farias (PT‑RJ) protocolou nesta quinta‑feira (12) uma representação criminal na Procuradoria‑Geral da República (PGR) e na Polícia Federal pedindo a abertura de investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo transferências financeiras atribuídas a Fabiano Campos Zettel, cunhado do ex‑controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na peça enviada às autoridades, o parlamentar solicita a instauração de procedimento investigatório criminal para apurar a origem e a destinação de valores que teriam sido direcionados a campanhas eleitorais nas eleições de 2022. Segundo o documento, doações atribuídas a Zettel somariam cerca de R$ 5 milhões destinados às campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.

De acordo com a representação, os valores teriam sido distribuídos da seguinte forma: aproximadamente R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e cerca de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio. O documento afirma que tais valores colocaram o empresário entre os maiores doadores pessoas físicas dessas disputas eleitorais.

Pastor Fabiano Zettel
Pastor Fabiano Zettel. (Foto: WikiMedia Commons)

A peça também menciona declarações públicas atribuídas ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, segundo as quais Zettel teria depositado aproximadamente R$ 3 milhões diretamente na conta pessoal de Bolsonaro.

No texto encaminhado à PGR, o deputado argumenta que, se confirmada, a circunstância exigiria apuração rigorosa. A representação afirma que “transferências milionárias diretamente para contas pessoais de lideranças políticas constituem circunstância que exige apuração rigorosa”, sobretudo quando realizadas por indivíduos vinculados a estruturas empresariais investigadas.

O documento sustenta que o caso deve ser analisado no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo a representação, “vieram a público, nas últimas semanas, informações de elevada gravidade envolvendo o núcleo empresarial associado ao Banco Master”, instituição cujo então controlador tornou‑se alvo de apurações da Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas no sistema bancário.

A peça acrescenta que as investigações e reportagens sobre o caso indicam a existência de “estrutura empresarial e financeira sofisticada, que teria operado por meio de múltiplos mecanismos de intermediação econômica, utilização de pessoas interpostas e movimentação de recursos em grande escala”.

Para o parlamentar, a eventual existência de fluxos financeiros entre empresários ligados ao caso e lideranças políticas pode levantar suspeitas sobre a utilização do financiamento político como mecanismo de influência institucional.

No documento, Lindbergh argumenta que contribuições políticas podem, em determinadas circunstâncias, funcionar como forma de dissimulação de pagamentos ilícitos. A representação afirma que doações eleitorais podem ser utilizadas como “instrumentos de mascaramento de pagamentos ilícitos”, sobretudo quando associadas a interesses empresariais dependentes de decisões estatais ou regulatórias.

A representação também sustenta que a investigação deve verificar se os valores mencionados foram devidamente registrados nas prestações de contas eleitorais e se a origem dos recursos corresponde à capacidade econômica do doador.

Entre as diligências solicitadas estão a oitiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto e do tesoureiro nacional do PL, Jucivaldo Salazar Pereira. O parlamentar também pede que sejam requisitadas informações ao Banco Central, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a instituições financeiras para rastrear a origem e o destino dos recursos.

A representação solicita ainda medidas de rastreamento financeiro, incluindo eventual quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, além do compartilhamento de provas com investigações em andamento sobre o Banco Master.

No entendimento do parlamentar, a eventual confirmação das irregularidades pode indicar a utilização de financiamento político como instrumento para obtenção de influência institucional. Na representação, Lindbergh afirma que “a apuração dos fatos narrados revela‑se imprescindível para preservar a integridade do sistema democrático e do regime jurídico de financiamento político”. 

https://iclnoticias.com.br/deputado-aciona-pgr-doacoes-bolsonaro/

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