“União Europeia e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo”, afirma Lula

 


“União Europeia e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo”, afirma Lula

Assinatura do acordo ocorre neste sábado, em Assunção, após mais de 25 anos de negociações

17 de janeiro de 2026, 05:04 h 

247 – A assinatura do Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia ocorre neste sábado, 17 , em Assunção, capital do Paraguai, encerrando um processo de negociações que se estendeu por mais de 25 anos e que, segundo os governos envolvidos, integrará dois dos maiores blocos econômicos globais. 

O acordo foi celebrado após a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta sexta-feira, 16 de janeiro, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, quando foram discutidos temas da agenda internacional e os próximos passos para a formalização do acordo. 

Logo após o encontro, Lula destacou o alcance econômico e político do pacto. “A União Europeia e o Mercosul farão história, em Assunção, ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de 22 trilhões de dólares. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, afirmou.

Do lado do Mercosul, o acordo será assinado pelos quatro membros plenos originais — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No bloco europeu, a adesão envolve os 27 países da União Europeia. Juntos, os dois blocos reúnem cerca de 718 a 720 milhões de pessoas e um PIB estimado entre US$ 22 trilhões e US$ 22,4 trilhões, o que colocaria o entendimento entre os maiores acordos comerciais do mundo em volume de comércio. 

Abertura de mercado e redução de tarifas

O Planalto afirma que o acordo amplia de forma significativa o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu, com a eliminação de tarifas sobre aproximadamente 95% dos bens importados pela União Europeia, em prazos distintos. A medida tende a beneficiar exportações do Mercosul e, ao mesmo tempo, criar novas condições de previsibilidade para investimentos e fluxos comerciais entre os dois lados do Atlântico.

Lula associou o avanço comercial à geração de empregos e oportunidades, mas também enfatizou uma mudança de patamar desejada pelo Brasil no comércio exterior. “Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia, mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, declarou.

Democracia, multilateralismo e cooperação política

Em paralelo à dimensão econômica, o governo brasileiro sustenta que o acordo cria mecanismos de cooperação política entre Mercosul e União Europeia, com espaços de diálogo voltados a fortalecer a colaboração em temas globais. Lula reforçou essa abordagem ao afirmar que o entendimento tem um componente estratégico mais amplo.

“Este acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados em respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, afirmou o presidente. 

Segundo o Planalto, o pacto incorpora compromissos considerados inovadores e equilibrados diante do cenário econômico internacional, no qual o Estado volta a ser visto como indutor do crescimento e da resiliência produtiva. A proposta, ainda de acordo com o governo, preserva a capacidade dos países de implementar políticas públicas em áreas essenciais, como saúde, emprego, meio ambiente, inovação e agricultura familiar.

Von der Leyen fala em “prosperidade compartilhada”

Após o pronunciamento de Lula, Ursula von der Leyen afirmou que o acordo promove benefícios mútuos e celebrou a dimensão simbólica da parceria. “Sejam bem-vindos ao maior mercado e à maior área de livre comércio do mundo”, declarou.

Ela também afirmou que a integração pode produzir ganhos compartilhados. “Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de soma zero. Nós realmente concordamos que todo mundo deve se beneficiar com novos empregos e mais oportunidades para o setor empresarial dos dois lados”, disse.

Em outro trecho, a presidente da Comissão Europeia defendeu que o acordo amplia oportunidades em mercados estratégicos e traz regras previsíveis. “Esse acordo vem em boa hora, pois vai multiplicar as oportunidades em relação ao que foi visto antes, com acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, padrões também semelhantes, além de cadeias de abastecimento que acabam se tornando verdadeiras rodovias que nos levam ao investimento”, afirmou. 

Relevância para o Brasil e foco em sustentabilidade

Para o Brasil, o acordo é descrito como estratégico em diferentes frentes. O Planalto destaca que a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do país, com corrente de comércio de bens estimada em cerca de US$ 100 bilhões em 2025. A expectativa do governo é que o pacto ajude a diversificar parcerias, estimular investimentos e fomentar a modernização do parque industrial brasileiro por meio de integração com cadeias produtivas europeias.

Na área ambiental, Mercosul e União Europeia reconhecem que os desafios do desenvolvimento sustentável envolvem responsabilidades compartilhadas, respeitando diferenças e níveis de responsabilidade de cada país. O governo brasileiro afirma que o acordo busca alinhar comércio e desenvolvimento sustentável, incentivando integração de cadeias produtivas como caminho para a descarbonização e prevendo tratamento diferenciado para produtos sustentáveis. A União Europeia, segundo o Planalto, também se compromete a oferecer um pacote inédito de cooperação para apoiar a implementação do acordo.

Próximos passos após a assinatura

Depois da assinatura, o processo seguirá para trâmites internos nas partes envolvidas. No caso europeu, a legislação prevê procedimentos distintos: para o acordo comercial, seria necessária a aprovação do Parlamento Europeu. No Brasil, o processo envolve a aprovação do Congresso Nacional.

Concluídas as etapas internas, as partes notificam mutuamente a conclusão dos procedimentos e formalizam a ratificação, confirmando o compromisso de cumprimento. A entrada em vigor ocorreria no primeiro dia do mês seguinte à notificação de conclusão dos trâmites internos. Está prevista a possibilidade de vigência bilateral, caso União Europeia e Brasil — ou outro país do Mercosul — concluam a ratificação para que o acordo passe a valer entre essas partes. 

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