STF cobra explicações sobre trabalho de general golpista no Exército

 


STF cobra explicações sobre trabalho de general golpista no Exército 

Autorização para trabalho interno de Mário Fernandes partiu do Comando Militar do Planalto e agora é alvo de questionamento do STF
13/01/2026 | 19h14 

Por Cleber Lourenço

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Exército Brasileiro preste esclarecimentos detalhados sobre as atividades que serão desempenhadas pelo general da reserva Mário Fernandes, condenado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

A autorização para que Fernandes realizasse trabalho interno partiu do próprio Comando Militar do Planalto, que encaminhou ao STF um Plano Individual de Trabalho. 

Com base nesse documento, o ministro Alexandre de Moraes autorizou, no último dia 9 de janeiro, a classificação do general para exercer atividades internas enquanto cumpre pena.

No entanto, em despacho assinado nesta segunda-feira (13), Moraes decidiu exigir mais informações do Exército

O ministro determinou que o Comando Militar do Planalto informe, no prazo de 48 horas, quais atividades serão efetivamente realizadas por Mário Fernandes, a natureza dessas funções e a carga horária diária e semanal, além dos dias e períodos em que o trabalho ocorrerá.

Mário Fernandes foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e crimes contra o patrimônio público, em razão dos atos golpistas de 8 de janeiro.

A decisão de permitir que um general condenado por crimes contra a democracia atue em atividades internas do Exército gerou desconforto nos bastidores e levantou questionamentos sobre os limites da ressocialização no âmbito militar, especialmente quando as funções envolvem produção de textos e revisão de conteúdos ligados à história e à doutrina da Força.

Procurado, o Exército Brasileiro ainda não respondeu aos questionamentos feitos pelo ICL Notícias sobre a natureza do trabalho a ser desempenhado por Mário Fernandes, se ele já iniciou as atividades e como será feita a supervisão das tarefas. 

Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

O STF também deu ciência do despacho à Procuradoria-Geral da República e determinou a intimação dos advogados do réu. A resposta do Comando Militar do Planalto deverá ser encaminhada diretamente à Corte

https://iclnoticias.com.br/stf-cobra-explicacoes-trabalho-general-golpista/

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