Corina Machado se ajoelha diante de Trump e viralatismo ganha novo capítulo
Nesta quinta-feira, a líder da oposição, Maria Corina Machado, entregou a medalha do prêmio Nobel da Paz ao presidente dos EUA, Donald Trump, num gesto que irá compor o mosaico de humilhações por parte de uma ala da elite política latino-americana.
Corina Machado havia sido descartada sem cerimônias pela Casa Branca de qualquer papel na transição na Venezuela, depois do sequestro de Nicolas Maduro.
Sem espaço, ela decidiu que chegar ao ego do republicano, conhecido por sucumbir a essa dimensão da condição humana, seria um caminho ao poder. Já havia, de fato, prometido entregar os recursos naturais de seu país. Mas isso, descobriu ela, os americanos fariam por conta própria.
Originalmente, seu desejo era repassar o prêmio ao republicano, declarando que ele deveria ser o vencedor de 2025. Mas Oslo avisou que isso não seria possível. O prêmio é intransferível. A fórmula encontrada pela venezuelana foi a de entregar apenas a medalha como “retribuição” pelo seu serviço de derrubar Maduro e supostamente abrir caminho para a democracia na Venezuela.
Trump, entretanto, jamais falou de democracia na Venezuela, não prevê um calendário para eleições e foi instruído pela CIA a trabalhar com o atual regime chavista em Caracas, como estratégia para evitar uma guerra civil.
Enquanto ela se reunia com o americano, a porta-voz da Casa Branca comparecia diante da imprensa e era perguntada sobre o futuro da Venezuela. Sua resposta sinalizou a humilhação em relação à líder da oposição e indicou que Trump estava “muito satisfeito” com a atual liderança venezuelana.
Trump não permitiu que a imprensa entrasse no Salão Oval para registrar a entrega da medalha. Não queria responder a perguntas e nem minar a relação com os chavistas na Venezuela.
Horas depois, nas redes sociais, agradeceu pelo presente. Mas o que ecoou foram as omissões em seu breve texto. Corina Machado não foi apresentada como líder da oposição e Trump não deu qualquer indicação de que iria se comprometer com seu destino.
A história certamente ainda pode mudar. Afinal, sabemos que o roteirista que desenha nossa história deixaria Gabriel Garcia Marquez atônito.
Maduro é indefensável e já disse isso em outras ocasiões. Mas, neste momento, ao se ajoelhar diante de Trump, Corina Machado escreveu mais um capítulo vergonhoso da subserviência de uma ala da América Latina que perpetua parte de nossa tragédia.
Parafraseando o discurso de Garcia Márquez ao receber o Nobel de Literatura, em 1982, essa é também, amigos, o nó de nossa solidão.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
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