Governo Lula não deverá aderir ao ‘Conselho da Paz’ de Trump

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Jamil Chade

Governo Lula não deverá aderir

ao ‘Conselho da Paz’ de Trump


Brasília considera que projeto ameaça existência da ONU, mina multilateralismo e confere poderes internacionais para Trump
18/01/2026 | 


O governo de
Luiz Inácio Lula da Silva deverá declinar o convite de Donald Trump para fazer parte do Conselho da Paz, uma organização proposta pelo americano e que poderia substituir a própria ONU. 

Fontes de diferentes órgãos do governo federal confirmaram ao ICL Notícias que um primeiro relatório interno foi realizado e que a recomendação ao presidente é que o Brasil ignore a proposta.

Trump fez o convite a uma dezena de líderes na esperança de reunir apoio para o organismo que teria ele mesmo como presidente. 

Todas as decisões teriam de passar por sua aprovação e, para ser membro permanente, um país teria de pagar US$ 1 bilhão.

Javier Milei, presidente da Argentina, se apressou em declarar que vai aceitar o convite, enquanto vários outros governos pelo mundo estão mantendo um silêncio profundo.

Para o Brasil, alguns elementos da proposta são considerados como problemáticos.

O primeiro deles é que a estrutura acaba com o multilateralismo e o direito internacional, com o risco de aprofunda desigualdades entre países.

Outro problema é que toda a autoridade fica nas mãos de Trump, o único que teria um poder de veto. 

Na prática, o novo Conselho seria uma versão piorada do Conselho de Segurança da ONU, hoje com cinco vetos.

O Brasil também considera que o sistema cria diferentes categorias de países a partir de quem paga para ser membro permanente.

Também preocupa o fato de que o tratado de criação não dá qualquer espaço para negociar os termos de adesão. 

Para fazer parte, o país terá de acatar todos os pontos apresentados por Trump.

Segundo diplomatas, nem em 1945 o governo americano fez tal imposição ao negociar a criação da ONU. Por meses, o Brasil tentou convencer os países de que deveria fazer parte do Conselho de Segurança. 

Mas fracassou.

Para completar, desta vez, o novo órgão daria a possibilidade de que Trump atue em qualquer lugar do mundo, ameaçando os interesses de estabilidade do Brasil na América do Sul.

O ICL Notícias revelou no sábado com exclusividade o fato de que Trump convidou o Brasil para fazer parte da iniciativa. Neste domingo, a reportagem ainda trouxe o texto completo do projeto.

Lula ainda não deu uma resposta ao americanos e o Palácio do Planalto aponta que a ideia ainda está sendo examinada. Uma das opções consideradas pelo governo é a de simplesmente se manter em silêncio, deixando que o projeto perca força internacional.

 Jamil Chade

Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade



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