Trump ameaça França, diz que ‘não há volta’ sobre Groenlândia e posta foto anexando Canadá e Venezuela - Trump completa um ano no poder
Trump ameaça França, diz que ‘não há volta’ sobre Groenlândia e posta foto anexando Canadá e Venezuela
Trump confirmou que irá se reunir com líderes nesta semana na cidade suíça de Davos para tratar de seu desejo de tomar o território dinamarquês. Mas já avisou que não pensa em desistir.
“Tive uma ótima conversa telefônica com Mark Rutte, Secretário-Geral da OTAN, sobre a Groenlândia. Concordei com uma reunião das diversas partes em Davos, na Suíça”, disse.
“Como deixei bem claro para todos, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás”, alertou.
“Nisso, todos concordam! Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo – e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA!”, completou.
Minutos depois, ele publicou nas redes sociais uma mensagem por telefone enviada por Emmanuel Macron, presidente da França. Nela, o francês indicava que poderia organizar uma cúpula especial do G7. Mas alertava: “não estou entendendo o que você está fazendo (sobre a Groenlândia)”.
No início da semana, ele chegou a escrever uma carta ao governo da Noruega sugerindo que foi a decisão de Oslo de não lhe dar o prêmio Nobel da Paz que teria motivado os EUA a defender apenas o seu interesse.
Ataques contra a França
Ainda nos EUA, Trump afirmou que a recusa da França de fazer parte de seu ‘Conselho de Paz’ não será tolerado.
“Eu vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele, e ele vai aderir, mas não precisa”, disse Trump, que ainda menosprezou Macron ao dizer que ele está no final de seu governo. “Ninguém sequer quer encontrá-lo”, afirmou o americano.
Trump convidou cerca de 60 países para fazer parte de seu projeto que tem como objetivo rivalizar com a ONU e ser o novo centro de decisões do mundo. Mas a estrutura prevê que apenas os EUA teriam o poder de veto, desmonta o sistema multilateral e coloca Trump como autoridade máxima.
Na segunda-feira, Paris sinalizou que irá declinar o convite, postura que também deve ser adotada pelo Brasil. As novas ameaças de Trump foram qualificadas pelos franceses como “inaceitáveis”.
Deboche do Reino Unido
Trump ainda criticou a posição de Londres em relação à devolução de territórios que, hoje, contam com bases americanas.
“Chocantemente, nosso “brilhante” aliado da OTAN, o Reino Unido, está planejando ceder a ilha de Diego Garcia, onde se encontra uma base militar vital dos EUA, para Maurício, e fazer isso SEM NENHUM MOTIVO”, disse.
“Não há dúvida de que a China e a Rússia perceberam esse ato de total fraqueza. Essas são potências internacionais que só reconhecem a FORÇA, e é por isso que os Estados Unidos da América, sob minha liderança, são agora, após apenas um ano, respeitados como nunca antes”, afirmou.
“O Reino Unido ceder terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um na longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Groenlândia precisa ser adquirida. A Dinamarca e seus aliados europeus precisam FAZER A COISA CERTA”, completou.
Fotos de mapas e exposição de conversas
Durante a madrugada, Trump ainda postou duas fotos. Uma delas mostra os mapas do Canadá, Groenlândia e da Venezuela pintados com a bandeira dos EUA, enquanto ele recebe líderes europeus no Salão Oval.
Em outra, ele finca uma bandeira dos EUA no território da Groenlândia.
Durante a madrugada, Trump ainda colocou em suas redes sociais prints de mensagens de líderes estrangeiros, entre eles o de Mark Rutte, chefe da OTAN. No texto laudatório ao americano, o europeu prometia que iria encontrar uma forma para lidar com a Groenlândia e se mostra submisso aos interesses da Casa Branca.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
https://iclnoticias.com.br/trump-diz-que-nao-ha-volta-sobre-groenlandia-mas-marca-cupula-em-davos/
Com ofensiva autoritária, Trump completa um ano no poder e tenta impôr sua ordem mundial
20/01/2026 | 05h30
Num discurso ameaçador, Donald Trump assumiu o poder há exatamente um ano com um alerta: “A partir deste momento, o declínio dos EUA acabou”. Diante da oligarquia digital e ofendendo líderes americanos e estrangeiros, ele insistiu que o país iria “recuperar seu lugar de direito como a maior, mais poderosa e mais respeitada nação da Terra”.
Hoje, sua ofensiva militar para modificar o mapa do poder no mundo é uma realidade, transformando a vida de milhões de pessoas e obrigando governos pelo planeta a se rearmar, reavaliar estratégias de defesa nacional e buscar outras alianças.
Uma das eleições mais consequentes da história recente no mundo foi marcada por uma campanha política na qual ficou evidenciada sua radicalização. Em um ano, a guinada autoritária deixou perplexo até o mais pessimista dos democratas.
Ao reocupar o Salão Oval, o presidente colocou tropas nas ruas, abalou a independência de outros poderes, ameaçou jornalistas, mandou prender juízes, atacou ativistas de direitos humanos, perseguiu opositores e retirou os direitos de algumas das minorias mais vulneráveis do país.
Supremacistas brancos ganharam lugar de destaque na Casa Branca e o governo dos EUA passou a agir para promover a extrema direita pelo mundo, inclusive com ingerência em eleições em governos estrangeiros.
Trump ainda congelou repasses para universidades que não cedam aos seus objetivos, fechou agências de desenvolvimento e cortou verbas para programas sociais.
Nas últimas semanas, ele tem repetido piadas sobre o fato de que não haveria mais necessidade de uma nova eleição. Os comentários têm causado calafrios entre ativistas de direitos humanos e juristas que não se cansam de citar o fato de que, ainda na campanha eleitoral, Trump sugeriu que seria um tirano “apenas por um dia”.
Para William Howell, reitor da Escola de Governo e Políticas Públicas da Universidade Johns Hopkins, o país “nunca viu uma presidência que represente uma ameaça tão duradoura à saúde e ao bem-estar da nossa democracia como a de hoje”.
O uso de forças militares em território nacional seria um dos sintomas mais graves dessa guinada autoritária. Nos últimos nove presidentes dos EUA, duas mobilizações de tropas para conter distúrbios civis foram realizadas. Sob Trump, isso aconteceu cinco vezes nos últimos quatro meses.
Para o senador democrata do Oregon, Jeff Merkley, o gesto faz parte da ofensiva do governo para desmontar a democracia. “Para consolidar um Estado autoritário, é preciso ter a capacidade de colocar tropas nas ruas”, afirmou.
A sociedade civil também passou a viver sob temor de que a repressão seja uma realidade. Trump passou a orientar as forças de segurança a qualificar como “terroristas domésticos” qualquer um que adote uma postura “antifascista”, ou que tenha como orientação o “antiamericanismo, anticapitalismo e anticristianismo”.
A imprensa não foi poupada. A Associated Press foi banida de certos locais depois que a agência de notícias se recusou a usar “Golfo da América” para designar o Golfo do México. O Pentágono também impôs condições ao acesso da imprensa e passou a exigir que os jornalistas submetessem seus artigos antes de uma publicação. Recursos para a National Public Radio e a Public Broadcasting Service foram profundamente cortados, enquanto Trump passou a colocar pressão sobre as emissoras para que demitam determinados jornalistas.
Os políticos de oposição viram como o discurso de Trump se transformou em ameaças. Em uma série de postagens no Truth Social na manhã de 20 de novembro, Trump defendeu que deputados foram presos e alertou que a sedição deveria ser punida “com a morte”. O presidente republicou várias mensagens de usuários do Truth Social, incluindo uma que escreveu: “ENFORQUEM ELES, GEORGE WASHINGTON FARIA ISSO!!”
Novo Mapa Mundi e ameaça da China
Se domesticamente a guinada é uma realidade, Trump passou a usar sua força militar e econômica para tentar redesenhar o mapa do poder mundial. A ordem criada em 1945 foi declarada como encerrada e, como ele mesmo disse, seu único compasso será sua moral.
Um sinal dessa ofensiva ocorreu quando o americano decidiu que seu Departamento de Defesa passaria a ser chamado de Departamento da Guerra.
Sua tese é a de que os EUA vivem uma das últimas oportunidades para evitar perder o posto de hegemonia para a China e que, para retomar tal lugar, nem o direito internacional e nem conceitos como soberania devem ser respeitados.
Trump, assim, anunciou uma nova estratégia de defesa nacional, reivindicando o controle militar sobre o Hemisfério Ocidental. Em um ano, forçou o Panamá a abandonar seus projetos com a China no canal que liga os dois oceanos, sequestrou Nicolás Maduro, cometeu execuções sumárias contra barcos que supostamente transportavam drogas, confiscou cargueiros de petróleo, atacou o Irã e bombardeou a Nigéria.
Com armas e dinheiro, os EUA foram decisivos na destruição de Gaza por parte de Israel. Quem ousou questionar a operação, como os tribunais internacionais, foram alvos de sanções.
O republicano ainda se lançou na conquista da Groenlândia, ameaçando romper a aliança história com os europeus e sinalizando que sua cobiça territorial não se limita à América Latina.
Enquanto isso, Trump anunciou sua retirada de 66 entidades internacionais e apresentou a proposta de criação de um novo órgão internacional onde ele teria plenos poderes: o Conselho da Paz.
Pelo mundo, o republicano chantageou líderes de democracias e de regimes autoritários, sem distinção, sempre que seus interesses estavam sendo questionados. A aliança com as grandes plataformas digitais levou a Casa Branca a impôr medidas contra qualquer país que questione o poder das Big Techs. Além da ofensiva contra o Brasil, Washington baniu a entrada de autoridades europeias depois que Bruxelas multou Elon Musk em 120 milhões de euros.
Em seu primeiro ano no poder, Trump ainda retirou recursos de dezenas de programas humanitários, abandando milhões de pessoas pelo mundo. As estimativas apontam que os cortes levaram a um aumento de 600 mil mortos nas crises humanitárias pelo planeta.
O redesenho da ordem também usa tarifas e o poder do dólar. Centenas de anúncios foram feitos impondo sanções financeiras a empresas e autoridades estrangeiras.
Numa reviravolta sem precedentes na história do partido republicano, Trump anunciou a imposição de tarifas contra mais de uma centena de países. Parte da estratégia era a de atrair empresas para produzir nos EUA, enquanto o déficit bilionário seria reduzido.
Mas ele jamais abriu mão de seu uso para chantagear países, inclusive em temas sem qualquer vínculo com o comércio. Trump fez isso contra Gustavo Petro na Colômbia, contra Alexandre de Moraes no Brasil e instrumentalizou o acesso ao seu mercado para obter vantagens por parte de adversários e aliados.
A paz ainda deixou de ser um objetivo de seu governo. Numa carta ao governo da Noruega, neste final de semana, ele alertou que se sentia desobrigado a falar em paz diante da decisão de Oslo de não lhe conceder o Prêmio Nobel.
Enquanto o mundo se reorganiza para lidar com a nova realidade, não são poucos os que temem que esse não seja seu último mandato.
Ao longo de seu primeiro ano, Trump frequentemente flertou com a ideia de um terceiro mandato, apesar da Constituição afirmar que ninguém pode ser eleito presidente “mais de duas vezes”.
O presidente, porém, parece se fazer de desentendido. “Não tenho permissão para concorrer? Não tenho certeza”, e sugeriu que poderia haver “um movimento constitucional” para que isso acontecesse.
Em maio, quando o novo informe sobre a saúde da democracia no mundo for publicado pela Universidade de Gotemburgo, há quem suspeite que, pela primeira vez, os EUA não mais aparecerão como uma democracia liberal.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
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