Trump diz que quer comprar Groenlândia e descarta uso da força
Trump diz que quer comprar
Groenlândia e descarta uso da
força
Donald Trump, o presidente dos EUA, criticou a Europa em seu discurso nesta quarta-feira em Davos, aprofundando o mal-estar entre americanos e europeus. Ele ainda insistiu em reivindicar a Groenlândia, alertando que esse seria um território na América do Norte e que quer comprar o local.
Trump anunciou que está propondo o início de uma “negociação imediata para comprar o território” da Groenlândia. Para ele, os EUA são os únicos que podem defender o local.
O americano fez questão ainda de insistir em descartar a ideia de que poderia usar militares para assumir o controle do território.
“Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso”, disse ele.
“As pessoas pensaram que eu usaria a força. Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse ele.
“Só queremos essa terra onde vamos construir o maior escudo de defesa”, afirmou, indicando que o sistema ainda protegeria o Canadá.
Trump acusou a Europa de ingratidão, questionou se a OTAN viria na defesa dos EUA e garantiu que o objetivo pela compra da Groenlândia não são os minérios, e sim a defesa do país. “É um pedido pequeno”, insistiu. “Queremos um pedaço de gelo e eles não querem nos dar”, disse.
Ele então fez um alerta aos europeus:
“Vocês podem dizer sim e seremos gratos. E vocês podem dizer não, e não nos esqueceremos”, completou.
Provocações
Sua fala foi ainda repleta de provocações e revisionismo histórico. Assim que começou seu discurso, ele alfinetou os participantes indicando que estava diante de “muitos amigos e alguns inimigos”. Por longos minutos, mentiu sobre seus supostos êxitos no primeiro ano de governo e disse que se trata do “maior crescimento que um país já teve”. “As pessoas estão muito felizes comigo”, insistiu.
Provocando os europeus, o chefe da Casa Branca também alertou que foram os americanos que salvaram a Europa dos nazistas. “Sem nós, vocês estariam falando alemão”, lançou.
Em sua fala, ele chamou Biden de “esquerda radical” e reconfirmou que considera que a hegemonia americana será defendida. “Somos o motor do mundo. Vocês nos seguem para baixo ou para cima”, disse à planteia de cerca de 5 mil pessoas.
Trump ainda usou o discurso para criticar a Europa, a imigração e gastos públicos. “Existem áreas da Europa que não se pode mais reconhecer. A Europa não está indo na direção boa”, alertou.
O presidente ainda usou a situação na Venezuela para mandar um recado. Segundo ele, o governo venezuelano está cooperando e que essa relação positiva ocorreu depois dos ataques que sequestraram Nicolás Maduro.
“Assim que o ataque parou, pediram para fazer um acordo. Outros deveriam fazer isso”, alertou.
Trump apontou que seu objetivo é o de “ajudar” os venezuelanos e elogiou a obtenção de 50 milhões de barris de petróleo do país. “Eles vão ganhar muito dinheiro. A liderança do país tem sido muito boa”, afirmou.
O discurso ocorre nesta quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em meio ao pior momento diplomático entre europeus e americanos. O gabinete de Trump chamou a Dinamarca de “irrelevante”, enquanto europeus alertam que precisarão abandonar a cautela diante da agressividade da Casa Branca.
Já Emmanuel Macron, que teve suas mensagens vazadas pelo próprio Trump um dia antes, afirmou que a ofensiva da Casa Branca era uma espécie de “colonialismo”. Scott Bessent, secretário do Tesouro, criticou o que ele chamou de “declarações inflamatórias” por parte do francês.
Segundo informações da agência Bloomberg, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, abandonou um jantar VIP depois que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, começou a criticar a Europa.
A esperança dos europeus é de que a passagem de Trump por Davos sirva para que ele seja convencido a abandonar a ideia de anexar a Groenlândia. Mas uma reunião que estava sendo organizada com o chanceler alemão, Friedrich Merz, teve de ser cancelada diante do atraso na aterrissagem por parte do americano.
Antes da chegada de Trump, o comissário de comércio da UE, Maros Sefcovic, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Davos. “Agora é o momento para o diálogo, não para a escalada”, afirmou a Comissão Europeia. “Queremos resolver isto de forma respeitosa e madura, mas, caso isso não seja possível, temos outras opções em cima da mesa”, disse.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
https://iclnoticias.com.br/trump-ataca-a-europa-nao-esta-indo-na-direcao-certa/
