‘Nem chinês, nem americano é melhor do que nós’, diz Lula, ao anunciar estrutura nacional de IA
‘Nem chinês, nem americano é melhor do que nós’, diz Lula, ao anunciar estrutura nacional de IA
Presidente afirma que Brasil entrará na corrida global pela inteligência artificial e defende investimentos para manter pesquisadores e jovens talentos no país
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (20), em Macaíba, no Rio Grande do Norte, que o Brasil pretende conquistar espaço próprio na corrida mundial pela inteligência artificial. As declarações foram feitas durante o anúncio de uma estrutura nacional de computação de alto desempenho destinada ao desenvolvimento de IA no país, segundo informações da RT Brasil.
“Nem chinês, nem americano é melhor do que nós. Nós vamos entrar nesse mercado“, afirmou Lula, ao defender investimentos em infraestrutura tecnológica, pesquisa e formação de profissionais brasileiros.
A iniciativa busca ampliar a capacidade computacional disponível no Brasil para pesquisas e aplicações de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, criar condições para que cientistas, pesquisadores e profissionais qualificados desenvolvam suas carreiras no próprio país.
Brasil quer espaço na corrida da inteligência artificial
Lula destacou a elevada concentração do desenvolvimento da inteligência artificial nas duas maiores potências tecnológicas do planeta. Segundo os números citados pelo presidente, os Estados Unidos responderiam atualmente por aproximadamente 65% da IA mundial, enquanto a China teria uma participação entre 15% e 20%.
Para Lula, o Brasil precisa construir capacidade tecnológica própria para não permanecer à margem da transformação econômica provocada pela inteligência artificial.
“Nós vamos provar que os brasileiros, que os nossos acadêmicos e que a nossa juventude não devem nada a ninguém“, declarou.
A nova estrutura de computação de alto desempenho faz parte desse esforço. A intenção é oferecer capacidade computacional para o desenvolvimento de modelos e soluções de inteligência artificial no Brasil, reduzindo a dependência de infraestrutura localizada no exterior.
Lula quer evitar fuga de talentos
Outro objetivo destacado pelo presidente é criar oportunidades para que pesquisadores brasileiros permaneçam no país.
A disputa internacional por especialistas em inteligência artificial, ciência da computação e áreas relacionadas tornou profissionais altamente qualificados ativos estratégicos para governos e empresas. Países capazes de reunir infraestrutura, financiamento e oportunidades de pesquisa têm maior capacidade de atrair esses talentos.
Lula defendeu que o Brasil faça os investimentos necessários para que seus pesquisadores e jovens possam encontrar condições para trabalhar e inovar dentro do próprio país, em vez de buscar oportunidades no exterior.
Soberania tecnológica
A iniciativa também insere a inteligência artificial no debate sobre soberania tecnológica. A capacidade de processar grandes volumes de dados e desenvolver sistemas próprios tornou-se estratégica para setores como indústria, saúde, energia, defesa, agricultura, educação e administração pública.
Ao anunciar a nova infraestrutura, Lula associou o investimento tecnológico à capacidade brasileira de competir internacionalmente e desenvolver conhecimento próprio.
A mensagem do presidente é de que o Brasil não pretende assistir passivamente à revolução da inteligência artificial liderada atualmente por Estados Unidos e China.
“Nem chinês, nem americano é melhor do que nós”, resumiu Lula. A aposta do governo é transformar essa confiança na capacidade científica brasileira em infraestrutura, pesquisa e oportunidades capazes de colocar o país entre os protagonistas da nova economia digital.
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