PARA AUMENTAR FROTA DE NAVIOS DE GUERRA DO BRASIL
Investimento atual do governo no setor militar representa 1,1% do PIB brasileiro, com tendência de aumento nos próximos anos.
por Weslley Neto16/08/2026

Fragata Tamandaré F200 foi lançado pela Marinha do Brasil em 2024 (Marinha do Brasil)
A Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), empresa alemã de construção naval, fechou um acordo com a Embraer para construir novos navios de guerra em Itajaí, Santa Catarina. As informações foram divulgadas pela revista “The Economist”.
A construção dos novos navios resultaria no segundo de quatro lotes previamente acordados após o início da operação da fragata Classe Tamandaré, em abril deste ano. É o primeiro navio de guerra de alta complexidade produzido no Brasil e colocado em operação nos últimos 46 anos — o último foi a fragata União (F45), de 1980.
A embarcação pode detectar submarinos e disparar mísseis e torpedos. Um heliponto permite o patrulhamento de amplas áreas sem a necessidade de uma frota adicional de navios de escolta. A embarcação seria um excelente reforço para qualquer marinha, detalhou “The Economist”.
Embora seja mundialmente famosa por seus aviões, a Embraer atua no setor naval militar por meio de consórcios e da Atech, sua subsidiária. Ela fornece o aparato tecnológico, sistemas de combate e gerenciamento para navios de guerra da Marinha do Brasil. Foi dessa maneira que a empresa colaborou com o programa das fragatas da Classe Tamandaré.
O avanço na produção de navios de guerra é significativo para um país que não possui reputação de poderio militar. Até o momento, o Brasil utilizou fragatas europeias de segunda mão, construídas durante o século XX. O projeto que envolve a fragata Classe Tamandaré quer incentivar a cadeia de produção nacional e a formação de mão de obra qualificada no país.
O primeiro navio da Fragrata Classe Tamandaré foi lançado em agosto de 2024. “É necessário ter soberania na área da defesa para garantir o domínio sobre nossas riquezas naturais, nosso mar e nosso pré-sal. […] Do mesmo modo, é preciso ter a soberania no conhecimento, na tecnologia e na capacidade de liderar grandes projetos, para não ficarmos para trás em comparação com o resto do mundo”, afirmou o presidente Lula na cerimônia de lançamento, segundo declarações divulgadas pela “Carta Capital”.
“Se você quer paz, esteja preparado para a guerra. A guerra não nos interessa. As fragatas devem representar a paz”, completou o presidente na época. Porém, a revista inglesa detalhou que o investimento em defesa está crescendo na América Latina desde janeiro, quando os EUA invadiram a Venezuela para efetuar a prisão de Nicolás Maduro. Peru e Colômbia teriam encomendado novos caças neste período.
Investimento em defesa
O investimento mostra que a defesa é um dos focos de atenção do atual governo, ressalta o veículo. Os gastos militares do Brasil permaneceram estáveis ou em queda por 30 anos, de acordo com os percentuais do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, o investimento atual representa 1,1% do PIB brasileiro, com tendência de aumento nos próximos anos.
O Brasil investiu US$ 24 bilhões (R$ 125 bilhões) nas Forças Armadas em 2025, o que representa um aumento de 13% na comparação com 2024.
A questão agora é acompanhar se o Brasil manterá os programas existentes e os gastos extras que eles exigem, segundo Louis Bearn, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIES). Em entrevista à revista, ele afirmou que o sucesso dos programas deve proteger as fragatas de cortes. Mesmo que o Brasil tenha um novo governo após as eleições de outubro, é improvável que uma base sólida de fabricação de defesa seja prejudicada.
Submarinos nucleares
Além da construção de novas fragatas, o país também planeja construir submarinos nucleares, o que representa um investimento inédito para um país que nunca teve foco no setor. O governo encomendou 19 aeronaves táticas e de reabastecimento em voo em 2022. Em março deste ano, apresentou o primeiro caça supersônico montado no Brasil, construído em parceria com a empresa sueca Saab.
Em setembro de 2025, a Marinha do Brasil fechou um acordo com o consórcio francês Naval Group para o desenvolvimento do submarino nuclear batizado como Álvaro Alberto, consolidando-se como um dos projetos de defesa mais ambiciosos do país, segundo o site Zona Militar.
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O primeiro dos contratos assinados com o Naval Group está avaliado em 246,3 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) e inclui prestação de serviços de engenharia, suprimentos e construção para a montagem eletromecânica do Edifício Auxiliar Controlado (PAC) do Laboratório de Geração de Energia Nuclear (LABGENE), segundo detalhes divulgados no Diário Oficial da União.
Um segundo contrato, no valor de 282,1 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão), teria sido estabelecido com prazo de 54 meses. O objetivo é fornecer consultoria técnica especializada para os sistemas adicionais do Submarino Nuclear com Armas Convencionais (SNCA). Dessa forma, o Naval Group fortalece sua atuação em áreas críticas do projeto, que vão desde o projeto do casco até a integração de tecnologias que superam a experiência anterior da Marinha do Brasil.