Inadimplência das empresas bate recorde no Brasil e supera 9,1 milhões de CNPJs

 

Inadimplência das empresas bate recorde no Brasil e supera 9,1 milhões de CNPJs

São Paulo lidera o ranking nacional, enquanto pequenos negócios concentram a maior parte das empresas com dívidas em atraso


A inadimplência entre as empresas brasileiras atingiu um novo recorde em junho de 2026. Segundo dados da Serasa Experian, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes no país.

As empresas acumulavam aproximadamente R$ 232,9 bilhões em dívidas, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 2016.

Na comparação com junho de 2025, o número de empresas inadimplentes cresceu 16,67%.

São Paulo é o estado mais atingido

São Paulo aparece na liderança nacional em números absolutos. Em junho, eram 3.126.658 empresas paulistas com dívidas em atraso.

Na sequência aparecem Minas Gerais, com 907.558 empresas inadimplentes; Rio de Janeiro, com 874.385; Paraná, com 601.986; e Rio Grande do Sul, com 527.555.

É importante observar que os números absolutos também refletem o tamanho da economia e a quantidade de empresas existentes em cada estado.

Pequenos negócios concentram a maior parte das dívidas

As micro e pequenas empresas representam a maior parcela das empresas inadimplentes.

Em junho, 8,6 milhões de micro e pequenas empresas estavam nessa situação, acumulando cerca de R$ 201,4 bilhões em dívidas.

O setor de Serviços representa 55,7% das empresas inadimplentes, seguido pelo Comércio, com 32,2%.

O cenário mostra como o aumento dos custos, as dificuldades de fluxo de caixa e o acesso mais restrito ao crédito podem pesar principalmente sobre os pequenos negócios.

Reflexo também preocupa o Alto Tietê

Embora os dados divulgados pela Serasa não apresentem, nesse levantamento, o número de empresas inadimplentes individualmente em cidades como Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Arujá, o cenário paulista serve como um sinal de atenção para toda a região.

O comércio e os serviços possuem forte presença na economia do Alto Tietê, e a situação financeira das empresas pode refletir diretamente na atividade econômica e na geração de empregos.

O Sincomércio Alto Tietê também vem alertando para a pressão financeira enfrentada pelo varejo regional, destacando a importância do controle do fluxo de caixa, do endividamento e dos custos do crédito.

Inadimplência não significa falência

Um ponto importante é que estar inadimplente não significa necessariamente que uma empresa fechou ou está falindo.

O indicador considera empresas que possuem compromissos financeiros vencidos e não pagos. Muitas podem buscar renegociação das dívidas e continuar suas atividades normalmente.

O recorde, porém, mostra que o ambiente financeiro continua desafiador para os empresários brasileiros.

Para os próximos meses, o comportamento dos juros, o acesso ao crédito e a capacidade das empresas de renegociar suas dívidas serão importantes para determinar se a inadimplência começará a recuar.

Fonte: Serasa Experian.

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Jorge Messias