Justiça condena Danilo Gentili por ataques a Padre Júlio e manda apagar posts

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Justiça condena Danilo Gentili por ataques a Padre Júlio e manda apagar posts

Justiça de São Paulo determinou indenização e retirada de publicações e imagens manipuladas; juíza entendeu que apresentador ultrapassou os limites da sátira ao atribuir fatos sem fundamento ao religioso




Por: Ivan Longo   Publicado: 19/08/2026 - às 04h45 

Justiça de São Paulo condenou o apresentador Danilo Gentili a pagar R$ 10 mil por danos morais ao padre Júlio Lancellotti e determinou a retirada de publicações consideradas ilícitas nas redes sociais e em uma plataforma digital mantida pelo humorista. A sentença foi proferida em 6 de agosto pela juíza Daniela Dejuste de Paula, da 29ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso. 

No processo, Padre Júlio afirmou ter sido alvo de uma série de publicações ofensivas, difamatórias e de conotação homofóbica, com apelidos pejorativos e imagens falsas, algumas delas produzidas com inteligência artificial. Ao analisar o material, a magistrada concluiu que parte das manifestações de Gentili ultrapassou os limites da crítica e da sátira e atingiu a honra do religioso. 

Entre os conteúdos que deverão ser retirados está a publicação “#Perdeu, Padre — Padre da Linguiça leva uma invertida”, feita em 25 de abril de 2025, acompanhada de imagens manipuladas. A ordem judicial alcança ainda outros conteúdos apontados na ação como ilícitos. O processo tramita sob segredo de Justiça. 

Justiça diz que Gentili ultrapassou limite da sátira

Um dos pontos centrais da sentença envolve publicações nas quais Gentili associava Padre Júlio à compra de uma Pajero. Entre as frases analisadas estavam “o padre que compra silêncio com Pajero”, “me dá uma Pajero aí que eu paro de zuar” e “quantas marmitas dá para comprar com uma Pajero”.

Para a Justiça, afirmar que o sacerdote teria “comprado silêncio” não poderia ser protegido simplesmente como piada ou sátira. A formulação apresentava como fato a ideia de que Padre Júlio teria oferecido uma vantagem patrimonial para silenciar outra pessoa, sem fundamento que sustentasse a acusação.

A juíza também considerou ilícita a afirmação de Gentili de que Padre Júlio teria rejeitado uma proposta de conciliação porque queria ficar com “o dinheiro todo só para ele”. Segundo informações sobre a sentença, os registros da negociação indicavam que o religioso havia solicitado uma retratação pública, e não a vantagem financeira atribuída a ele pelo apresentador.

Na decisão, Daniela Dejuste de Paula ressaltou que o direito à piada e à crítica contundente é protegido constitucionalmente. O entendimento, porém, foi de que essa proteção não alcança ataques pessoais baseados em fatos falsos e imagens ofensivas. Ao mesmo tempo, a magistrada rejeitou o pedido para impedir Gentili de fazer futuras publicações sobre Padre Júlio, por considerar que a medida configuraria censura prévia.

Além dos R$ 10 mil de indenização, com correção, Gentili deverá arcar com despesas processuais e honorários advocatícios. A ordem de exclusão dos conteúdos prevê ainda multa diária em caso de descumprimento.

Briga judicial começou após ataque de Gentili em 2022

A disputa entre Danilo Gentili e Padre Júlio Lancellotti começou em dezembro de 2022. Na época, o sacerdote criticou jogadores da Seleção Brasileira que apareceram durante a Copa do Mundo do Catar comendo carne folheada a ouro em um restaurante. Padre Júlio classificou a ostentação como “vergonha”.

Gentili respondeu à crítica com uma provocação de conotação sexual, dizendo que o padre “prefere linguiça”. Em outra publicação, passou a se referir ao religioso como “Padre Linguiça”. Padre Júlio então ingressou na Justiça pedindo indenização por danos morais, retirada dos conteúdos e uma medida que impedisse novas referências pejorativas à sua sexualidade.

A primeira ação terminou em 2025 com resultado favorável a Gentili. Foi para comemorar aquela vitória que o apresentador publicou, em 25 de abril daquele ano, o conteúdo intitulado “#Perdeu, Padre — Padre da Linguiça leva uma invertida”. A publicação e outros materiais divulgados posteriormente acabaram entrando no novo processo — que agora resultou na condenação do apresentador.

A própria sentença atual separou os dois episódios. A juíza entendeu que manifestações como “prefere linguiça”, o apelido “padre da linguiça” e uma postagem relacionada ao posicionamento atribuído ao religioso sobre o conflito entre Israel e Palestina já haviam sido analisadas pela Justiça e, portanto, não poderiam ser julgadas novamente. A condenação se baseou em outros conteúdos apresentados na nova ação.

Padre Júlio celebra decisão


Após a sentença, Padre Júlio Lancellotti afirmou estar satisfeito com o resultado e relacionou a decisão à responsabilidade no uso das mídias.


“Penso ser importante a decisão judicial para que as mídias sejam orientadas por ética e respeito aos direitos humanos.”

A declaração foi dada pelo sacerdote ao portal G1 após a divulgação da sentença.

Padre Júlio é conhecido nacionalmente pelo trabalho desenvolvido há décadas com a população em situação de rua em São Paulo e tornou-se alvo recorrente de ataques nas redes sociais. No caso envolvendo Gentili, a Justiça estabeleceu uma distinção entre o direito de fazer críticas ou piadas e a divulgação de acusações apresentadas como fatos sem fundamento, além do uso de imagens manipuladas para atacar o religioso.

A defesa de Danilo Gentili ainda pode recorrer da sentença. Até a divulgação da decisão, não havia sido informado posicionamento público do apresentador sobre a nova condenação.

https://revistaforum.com.br/brasil/justica-condena-danilo-gentili-padre-julio-lancellotti/

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