Justiça condena Danilo Gentili por ataques a Padre Júlio e manda apagar posts
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Justiça condena Danilo Gentili por ataques a Padre Júlio e manda apagar posts
Justiça de São Paulo determinou indenização e retirada de publicações e imagens manipuladas; juíza entendeu que apresentador ultrapassou os limites da sátira ao atribuir fatos sem fundamento ao religioso
Justiça diz que Gentili ultrapassou limite da sátira
Um dos pontos centrais da sentença envolve publicações nas quais Gentili associava Padre Júlio à compra de uma Pajero. Entre as frases analisadas estavam “o padre que compra silêncio com Pajero”, “me dá uma Pajero aí que eu paro de zuar” e “quantas marmitas dá para comprar com uma Pajero”.
Para a Justiça, afirmar que o sacerdote teria “comprado silêncio” não poderia ser protegido simplesmente como piada ou sátira. A formulação apresentava como fato a ideia de que Padre Júlio teria oferecido uma vantagem patrimonial para silenciar outra pessoa, sem fundamento que sustentasse a acusação.
A juíza também considerou ilícita a afirmação de Gentili de que Padre Júlio teria rejeitado uma proposta de conciliação porque queria ficar com “o dinheiro todo só para ele”. Segundo informações sobre a sentença, os registros da negociação indicavam que o religioso havia solicitado uma retratação pública, e não a vantagem financeira atribuída a ele pelo apresentador.
Na decisão, Daniela Dejuste de Paula ressaltou que o direito à piada e à crítica contundente é protegido constitucionalmente. O entendimento, porém, foi de que essa proteção não alcança ataques pessoais baseados em fatos falsos e imagens ofensivas. Ao mesmo tempo, a magistrada rejeitou o pedido para impedir Gentili de fazer futuras publicações sobre Padre Júlio, por considerar que a medida configuraria censura prévia.
Além dos R$ 10 mil de indenização, com correção, Gentili deverá arcar com despesas processuais e honorários advocatícios. A ordem de exclusão dos conteúdos prevê ainda multa diária em caso de descumprimento.
Briga judicial começou após ataque de Gentili em 2022
A disputa entre Danilo Gentili e Padre Júlio Lancellotti começou em dezembro de 2022. Na época, o sacerdote criticou jogadores da Seleção Brasileira que apareceram durante a Copa do Mundo do Catar comendo carne folheada a ouro em um restaurante. Padre Júlio classificou a ostentação como “vergonha”.
Gentili respondeu à crítica com uma provocação de conotação sexual, dizendo que o padre “prefere linguiça”. Em outra publicação, passou a se referir ao religioso como “Padre Linguiça”. Padre Júlio então ingressou na Justiça pedindo indenização por danos morais, retirada dos conteúdos e uma medida que impedisse novas referências pejorativas à sua sexualidade.
A primeira ação terminou em 2025 com resultado favorável a Gentili. Foi para comemorar aquela vitória que o apresentador publicou, em 25 de abril daquele ano, o conteúdo intitulado “#Perdeu, Padre — Padre da Linguiça leva uma invertida”. A publicação e outros materiais divulgados posteriormente acabaram entrando no novo processo — que agora resultou na condenação do apresentador.
A própria sentença atual separou os dois episódios. A juíza entendeu que manifestações como “prefere linguiça”, o apelido “padre da linguiça” e uma postagem relacionada ao posicionamento atribuído ao religioso sobre o conflito entre Israel e Palestina já haviam sido analisadas pela Justiça e, portanto, não poderiam ser julgadas novamente. A condenação se baseou em outros conteúdos apresentados na nova ação.
Padre Júlio celebra decisão
Após a sentença, Padre Júlio Lancellotti afirmou estar satisfeito com o resultado e relacionou a decisão à responsabilidade no uso das mídias.
“Penso ser importante a decisão judicial para que as mídias sejam orientadas por ética e respeito aos direitos humanos.”
A declaração foi dada pelo sacerdote ao portal G1 após a divulgação da sentença.
Padre Júlio é conhecido nacionalmente pelo trabalho desenvolvido há décadas com a população em situação de rua em São Paulo e tornou-se alvo recorrente de ataques nas redes sociais. No caso envolvendo Gentili, a Justiça estabeleceu uma distinção entre o direito de fazer críticas ou piadas e a divulgação de acusações apresentadas como fatos sem fundamento, além do uso de imagens manipuladas para atacar o religioso.
A defesa de Danilo Gentili ainda pode recorrer da sentença. Até a divulgação da decisão, não havia sido informado posicionamento público do apresentador sobre a nova condenação.