Presidente Lula participa do lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio - “Que nunca mais um homem ouse se achar dono de uma mulher”

 


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Lula firma pacto

 contra o feminicídio:

 “Que nunca mais um

 homem ouse se

 achar dono de uma

 mulher”

Presidente defende punição exemplar aos

agressores, cobra mudança cultural e diz

que homens assumem responsabilidade no

combate à violência

04 de fevereiro de 2026, 12:57 h 

247 -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (4) que o enfrentamento ao feminicídio exige ação firme do Estado, punição efetiva aos agressores e uma profunda mudança de comportamento na sociedade brasileira. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, que reuniu os chefes dos Três Poderes em uma iniciativa inédita de articulação institucional contra a violência letal de gênero

Em seu discurso, Lula destacou uma medida recente adotada pelo governo para responsabilizar economicamente agressores. “Queria comunicar uma boa notícia da semana passada: pela primeira vez o governo entrou com um processo para punir as pessoas que cometeram crime de violência contra as mulheres. E processo econômico, obrigando o agressor a pagar a pensão do filho até 21 anos de idade”, afirmou. Segundo o presidente, a ação movida pela Advocacia-Geral da União obteve decisão favorável na 2ª Vara de Marília, o que classificou como um marco inicial importante. “É um bom começo”, disse.

Lula associou a persistência da violência à falha na aplicação das leis. Ao lembrar uma frase do ex-governador e senador Franco Montoro, afirmou que “o problema do Brasil é que tinha lei que pegava e lei que não pegava”. Para o presidente, a impunidade alimenta a reincidência. “Precisamos saber onde está a falha, porque tem gente que comete o crime achando que não será punido”, declarou.

O presidente também fez um agradecimento público à primeira-dama. “Querida companheira Janja, sou obrigado a dizer publicamente do meu agradecimento pelo fato de você ter me alertado tantas vezes sobre a gravidade da violência contra as mulheres”, afirmou, ao reconhecer o papel dela na sensibilização sobre o tema. 

Ao se dirigir à imprensa, Lula ressaltou o simbolismo político do ato. “Queria dizer à imprensa que é importante a fotografia que está acontecendo hoje. Não sei quantas vezes na história da humanidade houve um evento em que os Três Poderes se juntam, com todas as instituições democráticas, para alertar a sociedade do problema que estamos vivendo”, disse. Para ele, a principal novidade do pacto é o envolvimento direto dos homens. “Pela primeira vez os homens estão assumindo a responsabilidade de que a luta não é só da mulher, é do agressor, que é o homem”, afirmou.

Lula defendeu que o combate à violência contra as mulheres deve atravessar todas as esferas da vida social. “O que estamos dizendo aqui para o movimento sindical é que esse é um tema de porta de fábrica, de assembleia de trabalhadores”, disse. Segundo ele, a pauta também deve estar presente no discurso cotidiano de parlamentares e no sistema educacional, “da creche à universidade”, para formar cidadãos comprometidos com o respeito e os direitos humanos.

O presidente afirmou que a transformação passa pela construção de novos valores. “O que estamos falando é da possibilidade de criarmos uma nova civilização, de iguais, em que não é o sexo que faz a diferença, mas o comportamento, o respeito”, declarou. Em tom crítico, acrescentou: “Nós queremos que nossas companheiras entendam a gente chegar tarde da noite em casa, mas os homens não suportam cinco minutos de atraso das mulheres”.

Ao encerrar, Lula enfatizou que o enfrentamento ao feminicídio exige perseverança e rigor. “A luta só termina quando a sociedade inteira perseguir de forma indefinida a punição, para que nunca mais o homem ouse, por causa de um prato de comida, transformar sua companheira em sua escrava, em tratar sua companheira como se fosse dono, proprietário”, afirmou. Para ele, o pacto marca o início de um novo momento. “Hoje, nesse país, começamos uma nova era na relação entre homens e mulheres”, concluiu. 

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