Aproximadamente 40.000 professores da rede estadual ficaram sem turma para lecionar durante a atribuição de classes e aulas do ano letivo de 2026, etapa que define a distribuição de alunos, a carga horária, as escolas e os horários de trabalho, renovando os contratos dos professores.
Aproximadamente 40.000 professores da rede estadual ficaram sem turma para lecionar durante a atribuição de classes e aulas do ano letivo de 2026, etapa que define a distribuição de alunos, a carga horária, as escolas e os horários de trabalho, renovando os contratos dos professores.
Ao acessarem a Secretaria Escolar Digital (SED), os docentes constataram que ficaram sem atribuição de classes e aulas, ou seja, sem trabalho e sem salário. Entre os fatores para os cortes, estão diminuição do orçamento para a educação, reorganização da rede e baixo desempenho dos professores.
Os professores que ficaram sem aula pertencem majoritariamente à categoria O, cujo contrato só pode ser firmado ou renovado quando houver necessidade de prestação do serviço. Na prática, estes docentes exercem funções atribuídas a concursados, mas não têm igualdade de direitos nem mantêm vínculo de trabalho ao longo do tempo.
Dados de dezembro da Secretaria de Educação de São Paulo (Seduc) mostram que, nas 5.574 unidades de ensino estaduais, existem 94.138 professores da categoria O. O número é maior que os da categoria A (89.275), considerados efetivos, e F (20.235), considerados estáveis. Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), entre os professores das categorias A e F, 10.000 ficaram sem aulas, totalizando cerca de 40.000.
Uma professora entrevistada pelo #BrasildeFato avalia que a ampliação da categoria O é apenas uma das facetas do “declínio” da educação no estado de São Paulo. Ela afirma que a pressão constante e a falta de autonomia afetam diretamente a saúde mental dos docentes e a qualidade do ensino. Segundo ela, a rede estadual impõe uma lógica em que o professor deve se adaptar integralmente às decisões da gestão, sem espaço para questionamentos ou divergências.
A quantidade de professores com contratos temporários aumentou justamente de 2022 para 2023, no primeiro ano do governo Tarcísio de Freitas, saindo de 95.336 para 101.228. No mesmo período, os contratos efetivos caíram de 95.637 para 90.497.
