* Daniela Lima entrevista presidente "Luiz Inácio Lula da Silva"
Lula diz que Haddad
e Alckmin “têm papel
a cumprir” em SP e
manda recado a
Pacheco para MG:
“não desisti de
você”
Presidente dá sinais sobre chapas estaduais
e minimiza pesquisas eleitorais: “toda
eleição é acirrada”
05 de fevereiro de 2026, 12:51 hAs declarações foram dadas em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5). Na conversa, Lula afirmou que pretende vencer novamente por considerar que a continuidade democrática estará no centro da disputa. “Nós vamos ganhar as eleições outra vez, porque o Brasil precisa de democracia”, declarou.
Ao comentar o ambiente político atual, o presidente disse que as eleições no Brasil seguem a tendência mundial de disputas acirradas e com alto grau de radicalização. “Toda eleição no mundo está acirrada. Aliás, eu nunca tive eleição que não fosse acirrada, sempre foi quase meio a meio. Qual é a diferença que temos hoje? O jogo está como se fosse uma torcida Vasco e Flamengo ou Corinthians e Palmeiras, ninguém muda de lado. Eu não vou entrar no mundo da mentira. Esse ano será o ano da verdade. Vamos mostrar o que fizemos”, afirmou.
Lula atribuiu o avanço da radicalização no país ao processo eleitoral de 2014, quando, segundo ele, a disputa presidencial abriu caminho para um ambiente político mais hostil. “Das eleições de 2014 para cá, a radicalização das eleições começou na disputa do Aécio Neves. O Aécio Neves foi o maior agressor que eu já vi contra uma mulher numa campanha política, naquela de 2014. Ele inclusive criou radicalização inclusive entrando com processo para que a Dilma não tomasse posse. A partir dali começou a radicalização na política brasileira”, disse.
O presidente avaliou que o país vive hoje um clima de polarização mais rígido do que em eleições anteriores. “Não será mais igual 2003, 2010. Está mais radicalizado. É como se o campeonato fosse só Corinthians e Palmeiras. Quem é um, é um. Quem é outro, é outro”, declarou.
Mesmo diante desse cenário, Lula disse acreditar que o governo terá força para vencer com base no histórico de políticas públicas de inclusão social implementadas durante suas gestões. “Por que eu acho que vamos ganhar? Porque ninguém nunca fez o que nós fizemos. Qual é o presidente na história do Brasil que mais fez políticas de inclusão social na história desde a proclamação da República?”, afirmou.
Ao tratar do cenário em São Paulo, Lula reconheceu a dificuldade histórica do PT no estado, mas disse ver condições reais de vitória em 2026. Ele mencionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin como nomes centrais para a estratégia paulista. “Eu só ganhei uma eleição em São Paulo, em 2012, contra o Serra. Nas outras todas eu perdi, por 3%, 4%, 5%. Nós temos muitos votos em São Paulo e temos condições de ganhar. Ainda não conversei com o Haddad e o Alckmin, mas eles sabem que eles têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone Tebet também tem um papel para cumprir e eu também não conversei com ela”, disse.
Lula foi além e sugeriu que a definição de um nome competitivo para o governo estadual pode garantir o êxito no maior colégio eleitoral do país. “Eu acho que a gente pode ganhar as eleições em São Paulo se a gente escolher um candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet”, declarou.
Em relação a Minas Gerais, o presidente afirmou que o grupo político ligado ao governo federal tem alternativas importantes e demonstrou otimismo sobre o desempenho no estado. “Em Minas Gerais nós vamos ganhar outra vez. Nós temos algumas alternativas importantes”, disse.
Na entrevista, Lula também mandou um recado direto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sinalizando que ainda pretende discutir com ele uma possível candidatura ao governo mineiro. “Eu ainda não desisti de você, viu Pacheco? Nós ainda vamos ter uma conversa e eu acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Estou muito certo disso”, afirmou.
O presidente encerrou a análise reforçando que a disputa eleitoral seguirá marcada pela polarização, mas disse acreditar que ainda há um segmento do eleitorado que pode ser convencido. “Quem não gosta de mim, não gosta. E quem não gosta deles, não gosta deles. O que precisamos é achar nesses 215 milhões de habitantes as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica, que não acreditam em mentiras e que resolvam votar do lado certo”, afirmou.
Para Lula, a eleição de 2026 será decisiva para o futuro do regime democrático no país. “O que vai estar em jogo em 2026 é se esse país continuará sendo democrático, se as instituições continuarão funcionando para sustentar a democracia, se o movimento social vai ter representatividade para fazer as manifestações, ou se a gente vai acabar com tudo isso”, concluiu.
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Lula diz que
conversou com
Lulinha sobre
acusações da CPMI
do INSS: “se você
tiver alguma coisa,
você vai pagar”
Presidente afirma que não interfere nas
investigações e diz ter orientado o filho a se
defender caso seja inocente
05 de fevereiro de 2026, 12:19 hAs declarações foram dadas em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5). Lula contextualizou que a comissão parlamentar foi instalada a partir de investigações que identificaram a atuação de uma quadrilha estruturada ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. “A investigação do INSS acontece porque o governo descobriu que tinha sido montada uma quadrilha no governo Bolsonaro alguns anos atrás”, afirmou.
O presidente disse que, ao tomar conhecimento do esquema, defendeu que o próprio governo solicitasse a abertura de uma CPI, mesmo diante de resistências internas. “Quando descobrimos, eu comecei a dizer para o pessoal que seria a primeira vez na história que o governo ia pedir uma CPI. Aí o pessoal da liderança, dos partidos, do PT: ‘não, o governo não pode fazer a CPI…’. Bom, está feita a CPI. E qual é a orientação do governo? Investigue o que tiverem que investigar”, declarou.
Lula também comentou diretamente as menções ao nome de seu filho no âmbito da comissão, que investiga possíveis repasses envolvendo uma mulher apontada como ligada a Lulinha e um dos personagens centrais do escândalo, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo o presidente, a conversa com o filho foi direta e sem concessões. “Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei o meu filho aqui, e eu falo isso com todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘olha, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’”, relatou.
O presidente afirmou que adota o mesmo critério para si próprio e que não admite tratamentos diferenciados em investigações. “É assim que eu trato as coisas, com muita seriedade. Assim eu fiz comigo”, disse.
Na entrevista, Lula relembrou o período em que foi preso após condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal e afirmou que optou por permanecer no país para enfrentar o processo judicial. “Quando inventaram a maior mentira jurídica da história desse país para me prender, eu poderia ter saído do Brasil. Quando decidi ficar e ir para a Polícia Federal é porque eu queria desmascarar o que foi feito comigo”, afirmou.
O presidente encerrou a declaração com críticas à atuação de setores da imprensa no período em que foi alvo de acusações. “Eu trabalho com a fé de que mesmo daqui a 50 anos uma parte da imprensa tenha a coragem de pedir desculpas pelas mentiras que contaram e pelo endeusamento que fizeram a algumas pessoas que hoje não valem nada”, disse.
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